Na noite de ontem (23), o Futebol Clube de Famalicão fez sua quinta vítima em seis jogos pela Liga NOS 2019-2020. Ao vencer o Sporting por 2 x 1 em plena cancha alviverde, os atuais vice-campeões da Liga Pro reassumiram a ponta da tabela, consolidando-se como a surpresa do início de temporada. Mas que time é esse que está fazendo frente aos grandes portugueses?

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Os primeiros anos

O Vila Nova foi fundado em 1931 por José Alves Marinho, Floriano Portela, Hildebrando Portela, Luís Pinto, Joaquim Mesquita Jr. e Vergílio Pinto de Azevedo. A primeira equipe do Famalicão estreou, oficialmente, diante do Porto na inauguração do Campo de Berberia, em 17 de janeiro de 1932. A princípio, as cores escolhidas foram verde e branco, mas anos depois foram alteradas para azul e branco na busca de se obter a filiação do Porto, o que não aconteceu.

A década de 40 marca a ascensão do clube e está ligada a figura do húngaro Jonas Szabo, que chegou aos Azuis e Brancos em 1941 como jogador-treinador. Após acessos, em 1945-46, disputou o Nacional da 2ª Divisão com 10 vitórias em 10 jogos, 88 gols marcados e apenas cinco sofridos. Comandado por Szabo, foi vice-campeão da competição e disputou o acesso ante o Boavista, vencendo a partida por 3 x 2. Assim, o Famalicão chegou, pela primeira vez, a elite do futebol português, em 30 de junho de 1946.

Nessa época, o clube foi apelidado de Tomba Gigantes. Isso se deveu a grande campanha na Taça de Portugal ao eliminar equipes da 1ª divisão, como Elvas e Olhanense, caindo diante do Sporting, nas quartas de final, por 11 x 0. Iniciava nesse momento uma certa rivalidade com os alviverdes, pois vários foram os confrontos em competições mata-mata, nas décadas seguintes.

Na 1ª divisão, o desempenho não foi dos melhores e a equipe foi rebaixada em penúltimo lugar, somando apenas 17 pontos. Contudo, esta temporada teve como destaques a vitória ante o Porto, intenso jogo contra o Sporting e uma campanha de sete vitórias, três empates e 16 derrotas. De volta a 2ª divisão, o clube iniciou a construção do Campo dos Bargos e foi campeão da Taça do Minho.

A consolidação na 2ª divisão

Nos anos 1950, inauguraram o novo estádio, mas viveram seus piores anos com rebaixamento à 3ª divisão e campeonatos regionais, devido estarem em dificuldades financeiras. A década de 60 é marcada pelo retorno de Jonas Szabo e com ele o clube volta a 2ª divisão. O acesso foi comemorado diante do Tirsense, em Guimarães, com gol de Carneiro. Após, consolidou-se na Série B nacional ao permanecê-la por quase duas décadas, quase sempre no meio de tabela. Em 1977, os Famalicenses comemoraram o título desta e o regresso à 1ª Liga, 30 anos depois. Entretanto, novamente, não conseguem se manter na elite e caem à divisão inferior.

Depois de uma década, o Famalicão volta a ser campeão da divisão de acesso e, pela terceira vez, chega à principal competição do país. Nesta oportunidade, a equipe faz diferente e consegue permanecer por boa parte dos anos 90, com estádios cheios em todos os jogos.

Mas, na virada do século, nova crise e rebaixamentos sucessivos que lhe dragaram à 3ª divisão e aos campeonatos regionais e distritais. Mesmo nos períodos de baixa, a torcida nunca abandonou o clube e se mantinha fiel às cores que escolheram. Por fim, a década atual é marcada pela retomada aos campeonatos profissionais e participação em fases finais da Taça de Portugal.

Famalicão hoje

O Famalicão manda seus jogos no Estádio Municipal, localizado no centro de Vila Nova de Famalicão, com capacidade para 10 mil pessoas. Em 2017, recebeu aporte de 100 mil euros para obras de melhoramento como colocação de cadeiras, câmeras de vigilância e controle de acessos. Dessa forma, a volta a elite em 2018-2019, reafirma um novo tempo na história da equipe, fazendo sonhar com capítulos gloriosos.

Ricardo do Amaral
Ricardo do Amaral
"Alvíssaras! Sou Ricardo Accioly Filho, pernambucano de 27 anos, advogado e estudante de jornalismo pela Uninassau. Tenho como mote que “no futebol, nunca serão apenas 11 contra 11”; é arte, é espetáculo, humanismo, tem poder de mover multidões e permitir ascensões sociais. Como paixão nacional do brasileiro, o futebol me acompanha desde cedo, entretanto como nunca tive habilidade para praticá-lo, busquei associar duas vertentes de minha vida: o prazer pela leitura e o esporte bretão. Foi nesse diapasão que encontrei no jornalismo esportivo o elo de ligação que me leva a difundir e informar o que, nas palavras de Steven Spielberg, é o “mais belo espetáculo de imagens que já vi”."

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