A Era Carlo Ancelotti que reconstruiu o Milan

- O italiano reergueu um gigante adormecido
Era Carlo Ancelotti

A Coluna Tática dos Campeões desta terça-feira (28), fala sobre a Era Carlo Ancelotti no Milan. Foram sete temporadas e com toda certeza o italiano deixou saudades em Milão. O técnico foi importante para o período de reconstrução dos Rossoneros, porque a equipe não estava rendendo nas mãos de Faith Terim. Portanto, era necessário mudanças e uma nova ideologia para que os Milanistas voltassem a brigar pelo topo do futebol europeu.

O COMEÇO DA ERA CARLO ANCELOTTI

Por conta de um início ruim de Faith Terim, o Milan optou por trocar de técnico no meio da temporada. Assim, no dia 5 de novembro de 2001, Carlo Ancelotti era escolhido para liderar a equipe. Em sua chegada, o treinador observou um time sem expectativas, que mesmo que fosse bom, não rendia o esperado.

Ancelotti chegava para levantar um gigante “adormecido”, foi um objetivo grande, mas para um treinador de alto nível tudo é possível. Na primeira temporada, o italiano conseguiu classificar os Rossoneros para a Champions League ficando em 4° lugar. Com destaque para a dupla de ataque, Filippo Inzaghi e Andriy Shevchenko, que marcaram 33 gols.

Na temporada seguinte, o treinador italiano visava títulos, já que o Milan vinha sofrendo uma escassez desde 1994. O investimento foi alto, entretanto os resultados não estavam vindo. Carlo Ancelotti visava ter uma equipe com equilíbrio tático, grande força no meio-campo e com um contra-ataque mortal.

O técnico fez algumas mudanças no time, recuou Andrea Pirlo, Rui Costa passou a atuar como um legítimo camisa 10 e os atacantes tinham total liberdade na frente. Além disso, o Milan foi ao mercado novamente e trouxe bons jogadores como: Clarence Seedorf, Rivaldo e Alessandro Nesta. Dessa forma, o esquadrão Rossonero vinha forte para a temporada seguinte.

Era Carlo Ancelotti
Reprodução/Imortais do futebol

E DEU TUDO CERTO

O esquadrão se formou e encaixou. O Milan atuava em um 4-4-2 com o meio-campo como o setor principal do time. A equipe tinha uma postura defensiva com um contra-ataque avassalador. Os defensores dificilmente subiam, Gennaro Gattuso auxiliava o sistema defensivo e Pirlo na saída de bola. Seedorf atuava mais pelo lado esquerdo, se aproximando dos atacantes e Rui Costa flutuava pelo último quarto do campo. Já a dupla de ataque com total liberdade.

O começo foi extraordinário, de 15 partidas do Campeonato Italiano, os Rossoneros perderam apenas duas. Na Champions League, em um grupo muito forte com Bayern de Munique e o La Coruña de Dijalminha, passou em 1º lugar com quatro vitórias e duas derrotas. A equipe seguiu mantendo boas atuações, mas começou a sofrer alguns tropeços no Scudetto, que custaram o título da competição. O Milan terminou a competição em 3º lugar.

Por outro lado, venceu a Copa da Itália sobre a Roma, com superioridade, vencendo o jogo de ida por 4 x 1 e empatando a volta em 2 x 2. Na fase seguinte da Champions League, o Milan foi muito bem, encarou um grupo com Borussia Dortmund e Real Madrid e se classificou em 1º da chave. Com esse resultado, o plantel de Carlo Ancelotti chegou às quartas de finais do campeonato. O adversário era o Ajax e avançou com o placar de 3 x 2 no agregado.

A semifinal seria um Derby contra a Internazionale e graças ao gol fora, os Milanistas se classificaram. A final seria contra a Juventus, campeã do italiano dessa temporada, no Old Trafford. O jogo foi tenso do começo ao fim, e foi decidido nos pênaltis após um 0 x 0. Com três defesas de Dida e Shevchenko anotando o último, o Milan se tornava hexacampeão europeu.

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A SEQUÊNCIA DE UM GRANDE TRABALHO

Primeiramente, deve-se ressaltar o ótimo trabalho feito por Carlo Ancelotti. O coach em uma temporada e meia colocou o Milan no topo da Europa novamente, tirando a equipe de uma fila de quase 10 anos. Para a próxima época, os Rossoneros mantiveram a base do time, venderam alguns jogadores que não estavam sendo muito utilizados, como Rivaldo e Roque Junior. Além disso, contratou Kaká, um jovem de 21 anos com muito potencial e Cafu, um multi-campeão.

A temporada 2003-04 já iniciou com título da Supercopa da Uefa sobre o Porto de José Mourinho. O Milan iniciava a temporada com um bom volume de jogo, era um time muito dominante no meio-campo e graças a rápida adaptação de Kaká, o plantel ganhava muito na criação. O brasileiro entrou no lugar de Filippo Inzaghi e junto com Rui Costa auxiliava na criação de jogadas. Além disso, Andriy Shevchenko vivia melhor fase de sua carreira.

No Campeonato Italiano, a equipe foi campeã com sobras, apresentando muito equilíbrio entre ataque e defesa. Foram 25 vitórias, sete empates e duas derrotas, marcaram 65 gols e sofreram apenas 24. Com a boa atuação na época, Shevchenko venceu o prêmio Ballon D'or da revista France Football. A temporada tinha tudo para ser perfeita, mas alguns tropeços inexplicáveis impediram isso.

Milan 2004
Reprodução/Imortais do Futebol

O MILAN DE ANCELOTTI NÃO ERA INVENCÍVEL

O esquadrão Rossonero era muito forte, mas não era invencível. A defesa que para muitos era um paredão, falhou em momentos que não deveria. Primeiramente na Copa da Itália, em que enfrentou a Lazio em Roma, em partida válida pela semifinal da competição. O plantel sofreu uma incrível derrota por 4 x 0 e foi eliminada do campeonato.

Esse não foi o único fiasco, o próximo foi na Champions League. O adversário era o Deportivo La Coruña e no jogo de ida em Milão, os italianos venceram por 4 x 1. Por outro lado, na partida de volta, sofreu um revés de 4 x 0 novamente e foi eliminado do maior torneio de clubes do Mundo.

O SHOW TEM QUE CONTINUAR

Após uma temporada que tinha tudo para ser perfeita, o Milan manteve suas peças chaves e contratou dois grandes nomes, Hernán Crespo e Jaap Stam. Portanto, mais uma vez a equipe vinha muito forte. O esquema voltou a ser um 4-4-2, idêntico ao de 2003, entretanto Kaká exercia a função de Rui Costa.

Era Carlo Ancelotti
                   Reprodução/Imortais do Futebol

A ideologia, a forma de jogar eram as mesmas e a vontade de vencer nunca deixou o clube. O esquadrão apresentava um bom futebol, mas pequenos detalhes faziam com que o Milan deixasse de vencer. Nas próximas duas temporadas sofreu alguns deslizes que impediram de vencer títulos grandes.

Em 2005, em que o esquadrão Rossonero sofreu alguns tropeços no Campeonato Italiano e na Copa da Itália que resultaram na retirada do time na briga por esses títulos. Entretanto, o pior deles foi na final da Champions League, em que o Milan abriu 3 x 0 no primeiro tempo sobre o Liverpool e sofreu o empate na 2ª etapa. Nas cobranças de pênaltis foram superados por Steven Gerrard e companhia.

A dolorosa derrota mexeu bastante com a equipe e na temporada seguinte mais uma vez o esquadrão passou em branco. O time jogava bem, mas faltava vencer mais títulos. Para muitos, a Era Carlo Ancelotti estava chegando ao fim. Por outro lado, o ano de 2007 vinha para mudar isso.

CHEGOU A HORA DE VENCER

Em meados de 2006, o craque Andriy Shevchenko deixou a equipe, o bola de ouro era uma das principais peças do elenco. Com a saída do ucraniano, Fillippo Inzaghi se tornou titular do time. Os Rossoneros começaram a atuar no esquema 4-3-2-1, em que quatro defensores sempre formavam uma linha, os três meias mais recuados, que eram Gattuso, Pirlo e Ambrosini, sempre atrás da linha da bola e bem próximos. Com sete jogadores com importante função defensiva, o Milan formava sua “zona de guerra“, que seria o meio entre eles. Nessa região, o adversário tinha pouco espaço para pensar.

Clarence Seedorf era muito importante no esquema, porque era ele que puxava os contra-ataques. O holandês, só voltava para marcar quando o adversário partia com um número maior de jogadores no ataque. Quando o Milan tinha que “sair jogando”, os três volantes recuavam, os laterais abriam para puxar marcação e Kaká e o camisa 10 flutuavam em busca de espaço para arma jogadas.

A bela tática montada por Ancelotti trouxe resultado e em uma reedição da final de 2005, o Milan superou o Liverpool por 2 x 1 e se tornou heptacampeão da Champions League. O principal destaque do time foi Kaká, o craque brasileiro era o diferencial da equipe, suas arrancadas eram uma válvula de escape dos Rossoneros. A temporada do camisa 22 foi tão boa, que ele foi considerado o Melhor do Mundo em disputa com  Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

A ERA CARLO ANCELOTTI CHEGOU AO FIM

Após vencer a Champions, Ancelotti ficou mais um tempo no Milan e em 2009 deixou a equipe. Após vencer duas Champions League, um Campeonato Italiano e um Mundial de Clubes, a trajetória chegou ao fim. Não foram tantos títulos, mas o italiano reergueu os Rossoneros e colocou-os no topo da Europa novamente.

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

Leonardo Pinheiro

Sobre Leonardo Pinheiro

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Escolhi jornalismo porque para mim é prazeroso informar as pessoas, e além disso, a paixão pelo futebol me encorajou a seguir essa carreira. Meu principalmente objetivo na profissão é trabalhar com esportes, principalmente o futebol.

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