Ubaldo Fillol

Ubaldo Matildo Fillol, o ‘maior goleiro' da história do futebol argentino, completou na última terça-feira (21), sete décadas de existência. De fato, o ex-jogador natural de San Miguel del Monte, marcou época. Sendo que os títulos do Campeonato Argentino, Supercopa Sul Americana e principalmente o da Copa do Mundo de 1978, ajudaram Fillol a ter um lugar cativo no coração de todos os torcedores argentinos.

Em seu invejável currículo, ‘El Pato‘ vestiu a camisa de clubes importantes no cenário sul-americano e europeu. Na argentina, jogou pelo Racing Club, Quilmes, Argentino Juniors, Vélez Sarsfield e o tradicional River Plate. Já no Brasil, foi goleiro do clube de maior torcida no país, o Flamengo. Além de explorar o velho continente defendendo as cores do Atlético de Madrid.

Ainda que haja a discussão de quem foi o melhor jogador argentino de todos os tempos… Messi, Maradona ou Di Stéfano? Ninguém é capaz de contestar a unanimidade quando o assunto é o de melhor goleiro. Pois Ubaldo Fillol, foi e continua sendo o maior arqueiro argentino de toda história.

CARREIRA

Formado nas categorias de base do modesto mas tradicional Quilmes, da argentina, Ubaldo Fillol ganhou a sua primeira grande oportunidade em 1972 ao ser contratado pelo Racing Club. Por ironia do destino, El Pato chamou a atenção dos grandes times do país, logo após ter jogado a 2ª Divisão em 1971, disputando naquela ocasião, 23 partidas no torneio.

Em virtude de sua grande performance no campeonato nacional defendendo as cores do Racing, Fillol foi procurado e contratado em 1973 por um dos maiores times da Argentina, o River Plate. Antes de se transferir, o goleiro disputou 59 jogos pelo clube de Avellaneda e atingiu a incrível marca de seis pênaltis defendidos em uma só edição do Campeonato Argentino, marca esta que é lembrada até hoje, pois nenhum outro atleta conseguiu superá-la.

Já pelos lados do Rio da Prata vestindo as cores do River, o sucesso foi ainda maior. Colecionando sete títulos em 360 jogos durante os 10 anos que atuou pelos ‘Millonarios'. Sendo peça fundamental por tirar o clube de uma fila que já durava 18 anos após vencer o Campeonato Metropolitano de 1975.

Logo após terminar sua década de River Plate, o ex-atleta vestiu as cores do Argentino Juniors por apenas 17 jogos antes de se transferir ao Clube de Regatas Flamengo em 1984, onde também teve uma curta passagem, conquistando a Taça Guanabara e a Taça Rio, antes de se despedir da América do Sul.

Já o ano de 1985 marcou a despedida de Fillol do cenário sul-americano, quando deixou o Rio de Janeiro para ir jogar na Espanha pelo Atlético de Madrid. Mais uma vez a passagem foi curta, com apenas uma temporada disputada e apenas o título de Supercopa da Espanha conquistado. Por fim, retornou ao seu país natal logo no ano seguinte para defender novamente o Racing Club (1986-1989) e o Vélez Sarsfield (1989-1991) antes de encerrar a sua gloriosa carreira.

                                                                                        Foto – El Gráfico.

FLAMENGO

Apesar de toda bagagem vitoriosa no futebol. A breve passagem pelo Brasil ao atuar diante de 150 mil pessoas no Maracanã, deixou fortes marcas e lembranças em El Pato.

O Flamengo mudou minha vida. Depois de defender aquele gol, não há ser humano que não se modifique pelo menos um pouco. Eu já era bem experiente, tinha disputado três Copas, mas poucas vezes me emocionei tanto quanto depois de atuar diante de tamanha multidão. Era uma loucura.”

SELEÇÃO ARGENTINA

De fato, a rápida ascensão no cenário nacional seguida das inúmeras boas atuações em seus primeiros anos de carreira. Fizeram com que Fillol ganhasse sua primeira convocação para a Copa do Mundo de 1974. Se juntando aos goleiros Daniel Carnevalli (titular) e Miguel Ángel Santoro (reserva imediato).

Com o intuito de que El Pato adquirisse experiência, o técnico Vladislao Cap o convocou para completar o plantel sendo terceiro opção e lhe avisou: ”Observe tudo e some experiência. Você vai ser o goleiro titular no mundial de 1978”.

Dito e feito! Pois o ex-jogador além de ter sido o titular do primeiro título mundial da Argentina, após contusão de Hugo Gatti. Foi  também o melhor goleiro da competição. Dentre as cenas marcantes estão o pênalti defendido diante da Polônia, a defesa no chute à queima-roupa de Roberto Dinamite e claro os dois ‘milagres' na final da Copa, em duas finalizações do atacante holandês Johnny Rep, assegurando o título para os anfitriões.

Além de ter sido um ícone no elenco campeão da Copa de 74. Ubaldo Fillol também assegura o recorde de ser o goleiro que mais vezes atuou pela seleção Albiceleste, 55 jogos disputados. Uma vez que em 20 ocasiões, o goleiro acabou não sendo vazado por seus adversários.

RIVALIDADE COM HUGO GATTI

Enquanto Fillol era titular absoluto do River Plate nos anos 70 e 80, ‘El loco‘ Gatti era do rival Boca Juniors. Ambos disputavam os status de melhor goleiro do país e consequentemente a titularidade na Seleção Argentina. Enquanto El Pato era ágil em baixo das traves, Gatti ia além e se arriscava muitas vezes como líbero, desarmando os atacantes antes que pudessem invadir a grande área.

Tal característica esta, fazia com que Hugo Gatti se sentisse no direito de dizer muitas vezes que era o melhor goleiro do país. Até mesmo ‘atacando' Fillol na mídia: ”foi o goleiro mais importante que conheci… embaixo dos paus! Um grande solucionador dos próprios erros”. Declarou o goleiro xeneize à El Gráfico em 2002.

A verdade é que seja como for, ambos eram extraordinários. Pois dividem até hoje o recorde de 26 pênaltis defendidos em campeonatos argentinos só contando tempos regulamentares. Rivalidade que se estenderá para sempre no coração de qualquer torcedor argentino, pois os Superclásicos pegavam fogo e jamais serão esquecidos.

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                                                     As lendas ‘El Loco' Gatti e ‘El Pato' Fillol. Foto: El Gráfico.

CURIOSIDADES

  • Desde 2008, ao fim de cada temporada, o goleiro menos vazado do país recebe o Prêmio Ubaldo Fillol.
  • Durante a Copa de 1978, Fillol vestiu a camisa 5 pelo fato dos números das camisas terem sido distribuídos por ordem alfabética do sobrenome dos atletas.
  • Com a finalidade de manter a forma enquanto trabalhava na cozinha de um restaurante durante sua adolescência. El Pato pedia para que os colegas de trabalho, atirassem bolas de massa para ele defender durante o expediente.
  • Em 1973 antes de se transferir para o River Plate, Fillol foi praticamente ‘ameaçado' pelo seu treinador no Racing Club, Ángel Labruna, que por ser torcedor Millonario disse:” Se não vais ao River, tens que ir à porrada comigo”.

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Foto Destaque: Reprodução/El Gráfico

 

Lucas Bertuzzi
Tenho 25 anos e estou no 7º semestre do curso de Jornalismo na faculdade São Judas Tadeu. Minha facilidade ao falar em público e principalmente minha paixão pelo esporte, em especial o futebol. Me fizeram ingressar na comunicação social, com um só intuito: ser repórter esportivo.

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