2016: ano do maior desafio da carreira de Tite

Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, tem em seu caminho o maior desafio da carreira: fazer o Corinthians, que recentemente perdeu cinco titulares, vencer a Taça Libertadores de 2016.

 As saídas de Cássio, Ralf, Jadson, Renato Augusto e Vágner Love (além do reserva Edu Dracena) desmontaram o esquema tático de Tite, que até agora não recebeu peças de reposição á altura dos desfalques. Caberá ao gaúcho reestruturar o atual hexacampeão brasileiro de acordo com o material humano que tem em mãos, e restando menos de um mês para o início da Libertadores.

Veja os outros desafios enfrentados e superados por Tite:

Livrando da Série B

Em 2004, Tite iniciava sua primeira passagem pelo Corinthians. Na época, o clube encontrava-se na zona de rebaixamento do Brasileirão e havia sofrido goleadas humilhantes para o arquirrival Palmeiras e Atlético-PR jogando em casa (0x4 e 0x5, respectivamente). Após a demissão de Oswaldo de Oliveira, Tite não apenas livrou o clube da série B como também o levou para a quinta colocação do Brasileirão daquele ano. Foi demitido com a chegada da MSI no ano seguinte.

Reconstrução

Em 2011, após a vergonhosa eliminação na pré-Libertadores para o Tolima, mídia, torcedores e até dirigentes exigiam a cabeça de Tite. Bancado pelo então presidente Andrés Sanchez o gaúcho permaneceu e, não bastasse a enorme pressão por resultados, viu os dois principais jogadores do elenco Alvinegro saírem: Ronaldo Fenômeno anunciava sua aposentadoria e o volante Jucilei se transferia para o Anzhi-RUS. Coube a Tite reconstruir o time para a disputa do Brasileirão, o que deu resultado: o clube sagrou-se pentacampeão brasileiro ao final do torneio, com disputa até a última rodada contra o Vasco, que ficou com a segunda colocação. Tite foi responsável pela ascensão do volante Paulinho, até então mero coadjuvante no time, além das chegadas do meia Alex e dos atacantes Liedson e Emerson Sheik.

Fim do Trauma

No ano seguinte, a consagração: o Corinthians era, enfim, campeão da Libertadores. Tite foi responsável por uma das maiores glórias do clube, que sofria com a sina de nunca ter vencido o torneio sul-americano. E a tão desejada conquista veio de maneira incontestável: o Alvinegro conquistou a América de forma invicta, com 8 vitórias e 6 empates nos 14 jogos disputados, derrubando o Vasco de Diego Souza e Fernando Prass nas oitavas de final, o Santos de Neymar e Ganso na semi e o Boca Juniors de Riquelme na finalíssima.

Campeão do Mundo

No final de 2012, como representante da América do Sul, o Corinthians de Tite tentava restaurar a honra do futebol brasileiro, abalada pela goleada sofrida pelo Santos perante o Barcelona em 2011 e o vexame do Internacional-RS contra o africano Mazembe, nas semifinais na edição do torneio de 2010. Tite superou mais um obstáculo: venceu o Chelsea de Hazard, Fernando Torres e David Luiz por 1×0, com gol antológico de Guerrero. Para muitos, o gaúcho já era o maior técnico da história do Corinthians.

Segunda Reconstrução

Ao sair do clube em 2013 (onde conquistou mais dois títulos) e retornar em 2015, o cenário do Corinthians era outro: crise financeira por conta do pagamento da arena em Itaquera, com meses de salário atrasado para vários jogadores além de pouca verba para contratar. Em meio ao caos, Fábio Santos, Petros, Emerson Sheik e Paolo Guerrero deixaram o Alvinegro. Após o desmanche, Tite reorganizou o clube, estabeleceu união entre os atletas e criou um time quase imbatível, que passou a jogar no moderno 4-1-4-1. O técnico resgatou o futebol de Jadson, bancou Vágner Love durante sua má fase e convenceu Renato Augusto (“curado” de suas recorrentes lesões) a não deixar o clube. Como resultado veio o hexacampeonato brasileiro, onde o time teve o melhor ataque e a melhor defesa e quebrou recordes com número de pontos conquistados em uma edição do Brasileirão além de ter o maior número de vitórias que um time já conseguiu.

Agora, em 2016, mais um obstáculo cruza o caminho de Adenor: A Libertadores mais nivelada dos últimos anos, com os tradicionais Boca Juniors, San Lorenzo, River Plate, Peñarol e Nacional, e os fortes Atlético-MG, Palmeiras, Grêmio e, ao que tudo indica, São Paulo.

E aí, Tite? Vencerá mais um desafio em 2016?

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Vinícius Deguar
Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: [email protected]

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