Defensor6 - uruguaio

Desclausurando o Uruguaio é uma coluna semanal com o intuito de explorar histórias, curiosidades e tudo o que envolve o futebol bicampeão mundial. Por certo, o tema dessa semana será o último suspiro de uma equipe uruguaia na Copa Libertadores. Detentor de oito canecos do certame, o fútbol charrua não chega a uma semi desde 2014, quando o Defensor Sporting sucumbiu diante do Nacional-PAR.

ANTECEDENTES

Criada há exatos 60 anos, como Copa dos Campeões, afinal somente os campeões do Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Chile, Colômbia e Paraguai participavam. Naquela oportunidade, o representante do paisito, Peñarol, mostrou o calibre do futebol uruguaio, que à época havia ganho duas Copas do Mundo. Durante a competição, os carboneros bateram Jorge Wilstermann-BOL e San Lorenzo-ARG, na final venceram o Olimpia-PAR. Em 1961 a dose foi novamente repetida pelo mesmo Peñarol. Todavia, o caneco só retornou ao Uruguai em 1966 com o tricampeonato manya.

Após a hegemonia de seu rival de toda a vida, o Nacional triunfou na Libertadores em 1971. Nas finais, o goleiro brasileiro Manga ajudou seus companheiros a pararem o poderoso Estudiantes de Carlos El Narigón Bilardo e Juan La Bruja Verón. Uma década se passou, e o Uruguai voltou a figurar no lugar mais alto da América. A geração de Hugo de León foi responsável por trazer a  Copa para seu país. Depois disso, los dos más grandes venceram a Liberta em mais três oportunidades: 1982 (Peñarol), 1987 (Peñarol) e 1988 (Nacional).

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Hugo de León carregando a taça de 1988 (Reprodução/CONMEBOL)

Enquanto isso, o modesto Club Atlético Defensor acabara de fundir-se junto ao Sporting Club Defensor, um time de basquetebol. Pouco antes da fusão, em 1987, os Violetas faturaram o Campeonato Uruguaio, uma zebraça. A saber, foi a segunda taça da equipe no certame, o primeiro tento aconteceu em 1976. O tricampeonato viria quatro anos depois, e somente na temporada 2007/08 o tetra. Nesse interím, a equipe disputou 10 Libertadores, quatro delas via o Uruguaião e as outras seis aconteceram pelo triunfo na Liguilla, uma espécie de seletiva. Diferentemente de Nacional e Peñarol, o clube Violeta não obteve êxito no torneio, a melhor campanha do Defensor foi em 2007, quando chegou nas quartas de final.

ANOS DOURADOS, OU MELHOR, VIOLETAS

Sem dúvida, a histórica jornada na Liberta de 2007 foi um divisor de águas para o Defensor Sporting. Além disso, o feito também serviu de inspiração para o elenco que, no segundo semestre do mesmo ano, terminou na 1ª colocação do Torneio Apertura. Decerto, a zebra estava solta no paisito, Nacional e Peñarol ficaram apenas na 5ª e 11ª posições, respectivamente. Segundo o regulamento instaurado pela Asociación Uruguaya de Fútbol (AUF), o Torneio Clausura teve sua disputa no primeiro semestre de 2008. Dessa vez, os Violetas viram o caneco terminar na mão dos carboneros. Ainda segundo as regras da AUF, o campeão uruguaio deveria ser decidido entre os ganhadores do Apertura e Clausura. Ou seja, Defensor e Peñarol se enfrentaram pela supremacia do Uruguai.

Lembra da zebra? Então, ela voltou a aparecer na decisão do Uruguaio. Possuindo a enorme vantagem de ser o ganhador da Tabela Anual, baseada na soma do desempenho durante a temporada, o Defensor venceu o primeiro duelo diante do Peñarol e sagrou-se tetracampeão uruguaio. Tal conquista creditou a equipe para a Copa Libertadores 2009 e Sul-Americana 2008.

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Parte do Defensor comemorando o tetracampeonato uruguaio (Reprodução/Internet)

ALGOZ XENEIZE

Não satisfeitos, os Violetas repetiram a dose no Clausura Uruguaio, já no ínicio de 2009. Embalados pelo triunfo, no certame novamente os jogadores apresentaram um ótimo futebol, só que na Libertadores. Um dos segredos para a regularidade durante quase três anos, foi a permanência de peças-chaves no plantel. Nomes como o do goleiro Martín Silva, Maxi Pereira, Gonzalo Sorondo, Miguel Amado, Fernando Fadeuille e o treinador Jorge da Silva.

Só para ilustrar, campeões uruguaios terminaram na 2ª posição do Grupo 4, o mesmo de São Paulo, Independiente Medellín-COL e América de Cali-COL. Desse modo, enfrentaram o Boca Juniors-ARG nas oitavas de final. Os uruguaios arrancaram um empate de 2 x 2 na partida de ida, e na volta, realizada em La Bombonera, o Defensor bateu a equipe xeneize pelo placar mínimo. Assim, avançaram para as quartas de final, mas sucumbiram diante do Estudiantes de Juan Sebastián Verón, Mauro Boselli, Rolando Flaco Schiavi e Alejandro Sabella. Los Pincharratas terminaram com a taça da Liberta daquele ano.

A 3ª FORÇA CHARRUA

Acumulando campanhas regulares durante quase três temporadas, o Defensor Sporting assumiu o posto de 3ª força no Uruguai. Afinal, briga pela 1ª e 2ª colocações está sendo travada há décadas por Nacional e Peñarol, e isso se perpetua até os dias de hoje. Com grande parte do elenco de 2009 preservado, e o embalo da jornada na Libertadores, Los Violetas possuíam todas as credenciais para se destacarem em 2010. Todavia, o técnico Jorge da Silva e o avante Diego Vera deixaram a instituição. Assim, os cartolas providenciaram o argentino Pablo Hernández.

Além disso, Ignacio Risso, Rodrigo Mora e Pablo Gaglianone, jogadores remanescentes, seguiram apresentando as boas atuações. Desempenho esse que culminou no troféu do Torneio Apertura. Contudo, a vaga na Liberta não veio, pois a equipe terminou fora da zona de classificação da Liguilla. No ano seguinte os Violetas passaram em branco, mas essa lacuna foi preenchida em 2012. O retorno de , as chegadas de Néstor Moraghi, Diego Rolán e Matías Britos foram fundamentais para a glória.

Defensor Sporting campeão do Torneio Clausura em 2012 (Reprodução/Tenfield)

Todas essas peças somadas aos remanescentes, renderam a conquista do Clausura. Decerto, o Defensor fez uma grande remontada no decorrer da temporada. Depois do modesto 6º lugar no primeiro semestre, e a precoce queda na fase de grupos da Libertadores, a equipe ganhou doze dos quinze duelos disputados no certame doméstico.

PRÉ-LIBERTADORES

Sem dúvida, o fútbol charrua é conhecido por revelar atletas, as canteras Violetas não são excessão. Em 2012 um pibe se destacou nas categorias inferiores e prontamente foi promovido ao elenco principal. O técnico Tabaré Silva assumiu a promoção de Giorgian De Arrascaeta, que logo mostrou as suas virtudes. Além disso, Felipe Gedoz, até então desconhecido no Brasil, também rendeu bons frutos. A consistência do capitão Andrés Fleurquín e a experiência de Nico Olivera e Ignacio Risso foram primordiais no Clausura de 2013, onde o elenco terminou campeão.

LA COPA

Mesmo com a conquista, Tabaré deixou o clube. No entanto, a base do plantel campeão permaneceu, o grande trunfo do Defensor para 2014. O técnico Fernado Curutchet, recém-chegado, e seus comandados caíram no grupo 5, junto a Cruzeiro, Universidad de Chile e Real Garcilaso-PER. Decerto, a aposta era de chilenos e brasileiros brigando pelo 1º lugar. A prova disso aconteceu na 1ª rodada, quando a La U superou os Violetas.

O revés na estreia da Liberta não desanimou os uruguaios, que golearam os peruanos do Real Garcilaso. Embalada pelo triunfo, a equipe visitou o Cruzeiro em pleno Mineirão. Na época a Raposa ostentava o título de campeão brasileiro e entrou 100% favorito em campo. Mas Felipe Gedoz não se importou, o gaúcho fez dois gols e sacramentou o primeiro Mineirazzo de 2014. Depois disso, os Violetas seguiram invictos até às oitavas de final. Empataram com o Cruzeiro e Universidad de Chile no Uruguai, e ganharam do Garcilaso no Peru, terminando a fase de grupos com 11 pontos.

Arrascaeta, Nicolás Olivera e Felipe Gedoz durante a Libertadores de 2014 (Agência EFE)

Na sequência ficou decretado que o próximo adversário pelo sonho continental seria o modesto The Strongest-BOL. A altitude  3.637 metros acima do nível do mar, presente no Estádio Hernando Siles, surtiu efeito nos visitantes, 2 x 0 triunfo boliviano. Na volta Arrascaeta e Olivera devolveram na mesma moeda, forçando a decisão por pênaltis. Matías Alonso, Adrián Luna, Matías Malvino e Nicolás Olivera converteram, Martín Campaña defendeu duas cobranças e o Defensor avançou.

Algoz do Atlético Mineiro na outra chave, o Atlético Nacional-COL também seguiu vivo na Liberta, mas teriam que medir forças com a zebra Violeta. Diferentemente das oitavas, Arrascaeta e cia não tiveram dificuldades nos jogos contra a equipe colombiana. A ida, na casa do Atlético, acabou em 2 x 0, com um show de Nico Olivera. Posteriormente, uma semana depois, Nico novamente marcou e o Defensor Sporting venceu pelo placar de 1 x 0.

O ÚLTIMO SUSPIRO

O resultado entrou na história do time, foi o melhor desempenho em todas as participações do clube na Copa Libertadores. Para melhorar, naquele ano o certame testemunhou semifinais de equipes que jamais tinham levantando o caneco contintental: San Lorenzo-ARG x Bolívar-BOL e Defensor Sporting x Nacional-PAR. Ou seja, a chance de título era palpável! Porém, Curutchet e seu plantel não contavam com a força paraguaia. Logo no primeiro embate, o Nacional venceu de maneira incontestável: 2 x 0. O segundo, e último, jogo aconteceu no mítico Estádio Centenário, a torcida fez a sua parte lotando o reduto. A equipe da casa também fez sua parte vencendo, mas por 1 x 0, placar ineficaz para classificar o Defensor. Assim, há seis anos o futebol bicampeão olímpico e octacampeão da Libertadores dava o seu último suspiro. Desde então, nenhum time do paisito chegou as semis.

Jogadores do Nacional comemorando a classificação. Enquanto Arrascaeta lamenta a eliminação (Agência Reuters)

Foto destaque: Reprodução/Diario La República

Luciano Massi
Me chamo Luciano Massi, tenho 20 anos, sou paulistano. Estou no 6º semestre do curso de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi. Desde criança fanático pelo futebol dentro e fora das quatro linhas, histórias que vão além do esporte. Produzo o Derbicast, podcast voltado ao futebol alternativo, dando enfâse aos esquecidos. Entretanto, nunca me dei bem com a bola...

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