1986: A tática chamada Maradona

O futebol é um jogo, e por ser um jogo ele é imprevisível. Assim, conseguir prever o maior número de variáveis possíveis e tirar o máximo de cada jogador é o papel de todo treinador. É essa a função da tão amada tática. Colocar 11 jogadores em suas funções e recrutar funções específicas para cada um é dos mais árduos deveres daqueles que trabalham com futebol. Principalmente para quem teve de enfrentar um tal de Diego Maradona em 1986.

Maradona é o grande personagem dessa Copa do Mundo. Para muitos, o grande personagem da história das Copas. Em 1986 Diego fez, talvez, a maior atuação individual em uma Copa do Mundo. Algo fenomenal. Dieguito era onipotente naquela competição. Um deus.

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Time base: Pumpido; Cuciufo, Brown e Ruggeri; Giusti, Burrochaga, Batista, Hector Henrique e Orlaticoechea; Maradona e Valdano.

Treinador: Carlos Bilardo

Assim como Garrincha e Romário, Diego Maradona pode ser rotulado como aquele que venceu uma Copa do Mundo “sozinho”. É normal diante de uma figura tão gigantesca e tão carismática que as outras peças da engrenagem passem despercebidas. Mas ao contrário do que pensamos a primeiro momento, essa seleção não era fraca. Mas sem Diego, dificilmente venceria. 

ARGENTINA EM CAMPO DEFENSIVO

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A Argentina era equilibrada e solida defensivamente. Desse modo, com uma marcação individual, algo comum na época, agregado de muita força física. A distribuição no campo se dava em um 4-4-2, onde o único que não tinha função predefinida era Maradona. Mais uma vez, o brilhantismo do 10 argentino ofuscou a boa competição que os homens de trás fizeram. Não se faz um campeão sem consistência defensiva. Portanto, com a Argentina não foi diferente.

ARGENTINA EM CAMPO DEFENSIVO

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Não há muito o que ser dito sobre a campeã de 86 em solo ofensivo. A equipe girava em torno de Maradona. Com isso, ele controlava as ações, fazia a bola correr e corria com ela. Além disso, Valdano, seu companheiro de ataque, também fez uma boa competição, mas sempre auxiliando aquele que era o dono da Copa. A Argentina era hibrida no ataque: poderia tanto ter paciência para trabalhar a posse, quanto usar a ligação direta. Tudo dependia dos passos dados por Diego. Afinal, a Copa era dele.

NÃO HAVERÁ OUTRO

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Não existe explicações táticas para descrever a Argentina campeã do mundo. Maradona é a resposta. Dessa maneira, somente ele foi o grande ponto tático, técnico e mental dessa Seleção – que era boa, mas tinha um gênio que tomava para si todas as glórias. Julgo dizer sem medo de errar que não haverá outro como Maradona em 1986 em toda a história do futebol. Não haverá tamanha atuação. Ninguém conseguirá assustar o mundo como ele.

Diego, em 1986, fez a tática se render e entender que para o talento não há explicação. E realmente não há. Houve o gol de mão? Sim, claro. Mas ocorreu também o maior gol da história das Copas. Houve a maior competição da história da Argentina. Houve Deus e sua mão.

Em 1986, Maradona surpreendeu o mundo. Ainda assim, hoje, 33 anos depois, nos obriga a render-nos ao seu talento. Maradona faz o tática dos campeões não falar de tática, e sim dele. O dono da Copa.

Tácio Costa
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