14 anos do tetra: a última vez que a Squadra Azzurra esteve no topo do mundo

- Todos os detalhes na última conquista da Copa do Mundo pela Itália
tetra squadra azzurra

A Copa do Mundo é o grande ápice do futebol mundial. Dessa forma, para um país que consegue essa conquista, é uma alegria e uma festa absurda. Então, imagina conseguir essa façanha quatro vezes. É isso que a Itália fez. Nesta quinta-feira (9), completam-se 14 anos que a Squadra Azzurra conquistou o tetra, com nomes marcantes e um estilo de jogo com todo o toque da bota. Além disso, a equipe comandada por Marcelo Lippi precisou calar os críticos para chegar ao topo do mundo na Alemanha. As páginas da Calciostoria dessa semana relembram a última grande glória da seleção italiana.

O PRÉ-COPA CONTURBADO

A saber, é muito comum que uma seleção desacreditada, devido a retrospectos recentes, vença a Copa do Mundo na base da superação. Assim foi com o Brasil de 1994 e 2002 e com a Itália de 1982 e 2006. Quatro anos antes, a Azzurra havia sido eliminada nas oitavas de final do Mundial com vários erros de arbitragem pela Coreia do Sul. Além disso, jogadores como Baggio, Maldini e Vieri não estavam no plantel que iria para a Alemanha. Mas não era só esses fatores que faziam a equipe de Marcelo Lippi chegar sem favoritismo.

Apesar de ter se classificado como líder de seu grupo nas eliminatórias europeias para o Mundial de 2006, a Squadra Azzurra passara por dois grandes vexames antes da Copa, um dentro e o outro fora de campo. Primeiramente, de forma precoce, a seleção italiana foi eliminada na fase de grupos da Eurocopa 2004, disputada em Portugal. Além disso, o escândalo conhecido como Calciopoli havia tirado toda a moral do país no futebol, com um grande esquema de apostas e manipulação de resultados, que inclusive tirou um scudetto da Juventus e rebaixou a Velha Senhora, que era uma das bases do elenco que foi à Alemanha.

A FASE DE GRUPOS

A saber, a Squadra Azzurra começou aquela Copa do Mundo enfrentando a seleção de Gana, que nos anos 2000, sem dúvida foi uma das melhores equipes africanas. Com jogadores que inclusive atuavam na Itália como Muntari, e estrelas como Gyan e Essien. Entretanto, a Itália superou todas as dificuldades em Hannover, e derrotou o adversário por 2 x 0, com gols de Pirlo e Iaquinta. A vitória deu confiança ao elenco de Marcelo Lippi, afinal, estrear com vitória em um Mundial é sempre bom. Porém, na 2ª rodada, as coisas complicaram.

Jogando em Kaiserslautern, a Itália enfrentou os Estados Unidos. Porém, o principal adversário daquele jogo foi a própria squadra. Mesmo com Gilardino abrindo o placar, Zaccardo marcaria contra e De Rossi seria expulso, sendo punido e voltando apenas na final da Copa do Mundo. Enfim, o 1 x 1 nada agradável com os norte-americanos colocava a seleção de Marcelo Lippi em risco, pois uma derrota contra a República Tcheca eliminaria a Squadra Azzurra.

Além disso, a seleção do leste europeu tinha grandes nomes como Baros, Nedved e o goleiro Cech, que tornaria as coisas mais complicadas. Entretanto, em Hamburgo, com gols de Materazzi, um dos heróis daquela Copa, e de Pippo Inzaghi, a Itália afastou qualquer possibilidade de vexame, venceu por 0 x 2 e avançou para as oitavas de final na Alemanha. Os checos até pressionaram tentando o empate ainda quando estava 0 x 1, mas Buffon fez grandes defesas.

OITAVAS E QUARTAS: A CONSOLIDAÇÃO

Classificando-se como 1ª colocada no Grupo E, a Itália enfrentaria o 2º colocado do Grupo F, que era a chave do Brasil. Assim, a seleção italiana enfrentou a Austrália no primeiro mata-mata daquela Copa, em Kaiserslautern. A Azzurra dominou o jogo em grande parte, até que na metade do segundo tempo, Materazzi foi expulso, o que gerou tensão. A equipe comandada por Guus Hiddink até tentou se soltar, mas apareceu pela primeira vez, um dos heróis do Mundial: Fábio Grosso.

Aos 47 minutos da etapa final, Grosso arrancou pela esquerda e dividiu com o zagueiro australiano, com o árbitro marcando pênalti, que foi muito duvidoso. Seria uma “recompensa” pelos erros que eliminaram a Azzurra em 2002? Dessa forma, a penalidade foi mantida e no último lance do jogo, Francesco Totti colocou a Itália nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006.

Nas quartas, a Itália pegaria a Ucrânia, liderada por um dos grandes jogadores daquela geração, que inclusive, fez sucesso no Milan: Andriy Shevckenko. Entretanto, os amarelos e azuis pouco perigo ofereceram para os comandados de Marcelo Lippi, o que faria daquele, o jogo mais fácil da trajetória rumo ao tetracampeonato. Logo no começo da partida, Zambrotta abriu o placar para a Azzurra. Apesar da seleção do leste europeu ter oferecido algum incômodo até a parte inicial da segunda etapa, um craque desencantaria.

Luca Toni vinha sido criticado pois não havia marcado ainda na Copa do Mundo. O atacante havia se destacado na temporada europeia com a pela Fiorentina, o que justificou sua titularidade pela azzurra no Mundial. Enfim, na partida contra a Ucrânia, o camisa 9 decidiu o confronto com dois gols. Aos 13′ da segunda etapa, após cruzamento de Totti e aos 23′, após grande jogada de Zambrotta. Assim, a Itália ia para às semifinais e se preparava para uma verdadeira batalha em Dortmund.

A BATALHA DE DORTMUND: CONFRONTO COM A ANFITRIÃ E VAGA DA SQUADRA AZZURRA NA FINAL

Assim sendo, após conquistar a vaga entre as quatro melhores seleções do mundo, a Itália teria um grande desafio: enfrentar os anfitriões, no dia 4 de julho de 2006. A Alemanha jogava em casa, e contava com o apoio de sua torcida. Além disso, tinha grandes jogadores como Ballack, Klose, Schweinsteiger, Podolski e companhia. Ainda, contava com o Westfalenstadion, atual Signal Iduna Park, casa do Borussia Dortmund, uma casa acústica do futebol alemão. Naquele estádio a seleção, que era comandada por Jurgen Klinsmann, nunca havia perdido um jogo.

Sendo assim, no começo do jogo, a pressão foi alemã, com Buffon fazendo defesas. A Itália conseguia equilibrar, mas foi um festival de gols perdidos de todos os lados. Schneider teve chance cara a cara com Gianluigi, mas isolou. Luca Toni, idem, com Lehmann. Porém, o trunfo italiano estava em seu meio-campo e defesa. Primeiramente, na marcação, Materazzi e Cannavaro fizeram grande partida. Além disso, Andrea Pirlo sem dúvidas fez uma das maiores partidas na carreira, mas que terminou no 0 x 0.

Na prorrogação, Marcelo Lippi tinha um trunfo, e ele se chamava Alessandro Del Piero. Apesar do começo forte da seleção alemã no tempo extra, o atacante da Juventus mudou o ambiente da azzurra na partida. Os momentos iam se acalorando, e os pênaltis ficando inevitáveis. Até que aos 13 da segunda etapa, Pirlo deu belo passe para Grosso, que encheu o pé esquerdo para abrir o placar. Na sequência, Cannavaro puxou contra-ataque, lançou Gilardino, que tocou para Del Piero marcar o segundo, com o árbitro decretando o final de jogo. 0 x 2 e a Itália derrubava a Alemanha em território rival para a Squadra Azurra chegar a final da Copa do Mundo de 2006.

A GRANDE FINAL

Enfim, era chegado o dia 9 de julho de 2006. Duas seleções que tinham grandes elencos, mas que despacharam grandes favoritos como Brasil e Alemanha para chegarem a final da Copa do Mundo. O Olyimpiastadion em Berlim estava tomado de italianos e franceses, para o ápice do futebol mundial. No entanto, tudo começou da forma que Marcelo Lippi não gostaria. Aos cinco', Malouda arrancou sobre Zambrotta e foi derrubado por Materazzi dentro da área. Pênalti para a França. Zinedine Zidane apenas cavou sobre Buffon para abrir o placar para a equipe de branco. A bola, que caprichosamente tocou no travessão e pingou dentro do gol, foi o segundo tento sofrido da Azzurra no Mundial.

No entanto, o camisa 23 da Azzurra apareceria novamente, mas de forma positiva. Aos 19 minutos, Pirlo, com mais uma grande assistência naquela Copa do Mundo, cobrou escanteio na cabeça de Materazzi, que empatou a partida, e se redimiu do pênalti cometido. E era por aquele caminho, que a Itália teve seu melhor momento no jogo. Bola na área do meia do Milan procurando sempre os zagueiros ou Luca Toni, e sempre levando perigo para Barthez. Ficou apenas no 1 x 1 antes do intervalo.

No segundo tempo, Thierry Henry estava tentando fazer a festa na zaga italiana, mas Cannavaro estava colado no camisa 12 francês. Além disso, Luca Toni deixou a Itália por alguns segundos em festa, virando o jogo. Entretanto, foi marcado impedimento do camisa 9, e o gol foi devidamente anulado. Enfim, foram essas as grandes emoções da etapa final, com a final indo para a prorrogação, com o 1 x 1.

DESPEDIDA MELANCÓLICA DE ZIDANE E CONQUISTA DO TETRA

Na prorrogação, o pouco futebol, e o desgaste físico das equipes, foi trocado pelo momento que aconteceu aos três minutos, da segunda parte do tempo extra. Materazzi usou a catimba sul-americana para provocar Zidane. Sendo assim, o camisa 5 francês descontrolado, deu uma cabeçada no zagueiro e foi expulso. Ali, de forma melancólica, se encerrava a carreira de um dos maiores meias da história do futebol. Além disso, com o 1 x 1 persistindo, era chegado os pênaltis.

Nas penalidades, Pirlo começou batendo e acertou, seguido de Wiltord, que empatou a série. Materazzi colocava a Azurra novamente na frente e contou com a felicidade de Trezeguet acertar o travessão na cobrança seguinte. Na sequência, De Rossi, Abidal, Del Piero e Sagnol converteram seus pênaltis. Enfim, Fabio Grosso, o herói da semifinal contra Alemanha, deu números finais ao jogo, a decisão, a Copa do Mundo. Após 24 anos, a Itália voltava ao topo do futebol mundial, e conquistava o tetracampeonato: a última glória da squadra azzzura.

O PASSADO RECENTE TENEBROSO DA SQUADRA AZZURRA

Dessa forma, após a Copa do Mundo de 2006, a Itália teve participações vexatórias em mundiais. Primeiramente, em 2010, a seleção não passou da fase de grupos. O mesmo aconteceu na Copa do Mundo de 2014, quando derrotas para Costa Rica e Uruguai custaram a vaga. Entretanto, o maior vexame foi a Squadra Azzurra não ter participado do Mundial de 2018 na Rússia. Isso porque foi derrotada na repescagem das eliminatórias europeias para a Suécia, em pleno estádio San Siro. Porém, há uma esperança, com a nova geração, comandada por Roberto Mancini.

Foto destaque: Reprodução/Getty Images

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Caíque Ribeiro
Caíque Ribeiro
Olá, eu sou Caíque Ribeiro, tenho 20 anos e a paixão por esportes corre em minhas veias, sobretudo, o futebol. Um amante do futebol tanto brasileiro, quanto europeu e ainda sim, do alternativo. Tendo como maior jogador que vi jogar, Ronaldinho Gaúcho e grandes memórias futebolísticas. Estou cursando jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Quando criança,sonhava em ser jogador de futebol,mas a vida me planejou outros rumos. Desde então, decidi juntar duas paixões: a paixão por escrever e a paixão pela pelota, e seguir nessa jornada,sempre disposto a trazer a informação de forma correta e apurada ao público. Além de futebol, escrevo e sou comentarista sobre basquete na Rádio Poliesportiva. Instagram: @caiqueribero, Twitter: @CRSousa5

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