Triplete da Inter em 2010

Serie A, Coppa Itália e Champions League sabe quantos times venceram isso na mesma temporada? Apenas um. A Inter de Milão de 2009/10, a única a conquista um triplete na Terra da Bota. Seguindo sua filosofia, o clube chegava sem muitas pretensões, mas causou outra revolução no futebol. A CalcioStoria dessa semana como foi esse fantástico acontecimento.

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A construção do elenco

Foi uma temporada de forte reestruturação no time. Ibra saiu para o Barcelona por quase 70 milhões de euros, e o time ainda pagou míseros 20 para ter Eto'o. Além disso, o ataque teve as saídas oficiais de Crespo e Cruz. No entanto, a chegada de Diego Milito não deixou que a Argentina fosse marca do time. Na defesa também houve trocas, Lúcio chegou do Bayern por 7 milhões, Patrick Vieira e Burdisso saíram de graça de Milão.

O enceramento de carreira de Figo parecia que seria muito sentida. Assim como a venda de Maxwell aos culés após uma temporada acima da média. Mas se houve algo mais impecável que o futebol apresentado foi a janela feira. Sneijder chegou de Madrid por 15 milhões, Thiago Motta e Mariga desembarcaram por 10, e Pandev chegou a custo zero. Parece que foram bons negócios. Para completar, apesar de sondagens Cambiasso continuou no clube e um tal de Mario Balotelli subia cheio de pompa das categorias de base.

Então, completa a isso os senadores Zanetti, Stankovic, Cordoba, Materazzi, Samuel e Maicon. Júlio Cesar batia de frente com Buffon na Itália, e Toldo se encaminhava para sua última temporada. Junto com o comandante português que cada vez era colocado pela diretoria como “novo Helenio Herrera“. Ainda mais depois da forma como fez os nerazzurri chegar ao tetracampeonato italiano. Na liga era o time a ser batido, mas faltava a Coppa e a Europa.

Os Primeiros Passos

A estreia oficial da temporada do triplete foi um empate com o Bari, em um jogo de muitas falhas de finalização. No entanto, isso mudou no jogo seguinte.  Maicon, Milito, Thiago Motta e Stankovic fecharam o caixão em um 4 x 0 no Derby della Madonnina, em um San Siro completamente Rossonero. Ali já deu para ver o quão histórica seria a temporada. A Inter só perdeu para a Sampdoria nas 10 primeiras rodadas da Serie A.

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O Grupo F da Champions trazia Barcelona, que encantava o mundo, Rubin Kazan e Dynamo Kiev, do carrasco Shevchenko. Uma chave nada fácil e que começou com três empates, colocando a classificação em xeque. E o sofrimento continuou. Pela quarta rodada, os ucranianos abriram o placar deixando tudo mais difícil. No entanto, aos 86′ Sneijder pra Milito e empate. Aos 89′ em um pressão ensurdecedora, Diego retribuiu o presente pro holandês com ajuda da defesa e virou a partida. Deixando os corações mais calmos. No fim, passou em segundo lugar com nove pontos após bater os russos.

Pela Coppa, o primeiro adversário foi o Livorno, que pouco assustou, e viu Sneijder marcar um golaço e fechar o placar. A fase seguinte trouxe o Derby D'Itália. Em um jogo que as defesas foram protagonistas, coube a Diego Ribas abrir o placar em chutaço sem chances a Toldo. Só assim para criar chances ou em bolas paradas. Como no escanteio que fez Lúcio empatar a partida. Então, aos 89′ o jovem e já marrento Mario Balotelli pegou o rebote de Buffon para mandar os juventinos para casa.

A contracultura na forma de jogar

O mundo estava encantado com Lionel Messi, Guardiola e o futebol total que o Barcelona jogava. No entanto, assim como no mundo na moda vem coisas que quebram tendências e mostram defeitos do que está no topo. Após sofrer uma Ibradependência na temporada anterior, era esperado um time mais coletivo nos dois lados do campo. Pois, na defesa a linha de quatro jogadores com Cambiasso a frente era um muro de difícil transposição.

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Mesmo com a reformulação, o setor defensivo ficava cada vez mais forte. Apesar de ter levado mais gols que na temporada anterior, isso se deu pela falta de entrosamento inicial, depois tudo fluiu. Mas não pense que era um time tão pragmático. Sempre que precisava propor o jogo, Milito, Eto'o e Balotelli flutuavam e seguravam a bola como ninguém. Maicon era canhão vindo pela direita, o trio de volantes esbanjava categoria na saída de bola e ainda tinha um camisa 10 soltinho dentro de campo para incomodar as defesas.

O meio de campo cheio e os laterais fazendo pressão não davam alternativas aos adversários, que ainda tinham um Super Júlio Cesar pela frente. Foi assim, que a escalação a seguir se consagrou como veremos daqui para frente. Escalação base: Júlio Cesar; Maicon, Lúcio, Samuel e Chivu (Zanetti); Cambiasso, Thiago Motta e Zanetti (Stankovic ou Pandev); Sneijder; Milito e Eto'o. Técnico: José Mourinho.

O Scudetto

O triplete começou na Liga. Mais especificamente no dia 16 de Maio de 2010. 1 x 0 contra o Siena, gol do mais que decisivo camisa 22. Mas até lá, as rodadas anteriores foram de angústia. Na última rodada do primeiro turno um 4 x 3 com direito a duas viradas no Siena deixou sem ar qualquer pessoa que viu aquela partida. Uma derrota no Derby D'Itália só foi compensada em mais uma vitória no Maddoninna. Ao passo que vencia tudo em outros torneios teve uma sequência de empates contra equipes no meio da tabela.

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A tragédia parecia encaminhada na rodada 31, em que após chegar na semifinal da Champions a equipe viu a Roma encostar na tabela após um 2 x 1 com direito a show de De Rossi. O jogador não era nada querido pela torcida nerazzurri e a partir dali, muito menos. Ainda mais com os Giallorossi virando líder na 33ª rodada. O lema passou a ser um só: para evitar o vexame, precisamos mais do que nunca vencer tudo.

Cinco semanas depois, Pazzini e cia derrotaram o time da capital. Então, a Inter com a cabeça na Espanha foi com reservas para Bérgamo e começou perdendo. No entanto, não havia raça e emoção que batesse aquele time. Como touros, a equipe se mandou ao ataque e Milito empatou. A Atalanta estava louca para por água no chopp tanto que Peluso obrigou Júlio Cesar a fazer grande defesa. No entanto, veio dos pés de dois questionados a volta da liderança. Muntari e Chivu, nunca criticados, deram números finais ao jogo e a primeira posição faltando três partidas.

O tranquilo 2 x 0 na Lazio colocou uma mão na taça, o Chievo quase buscou um 4 x 1 nos minutos finais. Mesmo assim, a vitória na última rodada trouxe alívio e o pentacampeonato italiano, algo até então nunca visto na terra da Bota.

A Coppa do 1 x 0

Pragmático, emocionante e forte, palavras que definem essa taça. Na semifinal a Fiorentina foi a adversária. Mario Balotelli fez duas grandes partidas,mas viu Milito na ida e Eto'o na volta marcarem os gols do confronto. O goleiro Frey fez grandes defesas que podiam ter deixado o placar mais elástico. Gilardino podia ter empatado as coisas no Artemio Franchi, no entanto um paredão brasileiro se jogou na bola para impedir a rede de balançar.

Na final, mais uma vez a Roma estava pela frente. Dia 05 de maio no Estádio Olímpico de Roma, cidade e torcida rival, tudo poderia conspirar. Não para quem tem Super Diego, mestre Mourinho e cia. O príncipe fez aos 16, entretanto, estava adiantado e o gol foi anulado para raiva do português que foi a uma tv próxima para ver se é verdade. Mesmo assim, aos 40′ o camisa 22 teve espaço para arrancar, trazer para a esquerda e fuzilar o ângulo giallorossi. Totti era o mais perigoso do outro lado, tanto que foi expulso aos 87′ após entrada criminosa em Muntari.

O mata mata da orelhuda

O comandante português conhecia bem o adversário das oitavas de final: o Chelsea. Então, montou a equipe na forma perfeita para dar certo, tanto que foram em lançamentos longos que nasceram todos os gols feitos nos ingleses. Sem chance para que a lenta zaga blue conseguisse chegar. Kalou marcou o único gol londrino na partida de ida.

As quartas de final era contra o CSKA e os italianos eram muito favoritos. Mas não foi tão fácil, o clube levou sustos na Giuseppe Meazza. Bom que na segunda etapa tudo mudou, Milito fez o seu e podia ter sido bem mais. Na volta, Sneijder marcou de falta aos seis minutos. Assim, a Inter tranquilizou o jogo, recuou e sem muitos sustos estava na semi final após sete anos.

Sneijder comemora seu gol que colocou a Inter entre os 4 melhores da Europa (Reprodução/Reuters)

A Guerra contra o Barcelona

Na ida, sem Iniesta e com Messi no bolso de Zanetti a vida foi difícil para os Blaugranas. Mesmo assim, Maxwell achou espaço para lançar Pedro que abriu o placar aos 19′. No entanto, não dava para brincar com os meninos de Mourinho. Eto'o aproveitou cochilo de Daniel Alves para jogar na cabeça de Sneijder para empatar, em seguida, Maicon virou o jogo. Em aula de contra ataque, Milito fechou o placar. Isso porque Júlio Cesar fez milagre em cabeçada de Busquets na segunda etapa. Ainda teve Balotelli vaiado pelos próprios torcedores no San Siro.

Na volta, com os times 100% titulares. A partida começou bem quente com o árbitro sendo bastante utilizado. Aos 28′ o ápice. Thiago Motta foi expulso após jogar a mão no pescoço de Busquets. O ítalo-brasileiro ficou furioso com o espanhol, pois caiu com as mãos no rosto e gritando de dor. No entanto, uma câmera pegou que o camisa 16 estava com olho aberto e sorrindo apenas esperando a confirmação do cartão ao interista.

Cena ficou conhecida como atuação de Sergio DiCaprio (Reprodução/Getty)

Assim, os nerazzurri colocaram o ônibus da frente da área e foi quase impossível passar o ferrolho. Apenas Piqué aos 83′ conseguiu com pé direito fazer o único tento validado. Pois, Abidal também balançou a rede, mas havia colocado a mão na bola no lance e o tento foi anulado. O Super Júlio Cesar parou Messi duas vezes de forma icônica, para muitos, a melhor atuação do arqueiro na carreira.

A orelhuda fecha o triplete

O Santiago Bernabeu já havia conquistado essa taça nove vezes até então. Só que no dia 22 de maio de 2010, foi a vez do tri nerazzurri. Sneijder teve chance para fazer 2 x 0 antes dos 20′. No entanto, sua vida era ser garçom de Diego Milito. Aos 27′ tabelou com o argentino que abriu o placar. Aos 73′ il príncipe deixou Van Buyten perdido e fechou o placar. Ele ainda quis ser garçom de Pandev duas vezes, mas a estrela era do hermano, que terminou a temporada com 30 gols. Eto'o com 16 e Balotelli (vencedor do Golden Boy daquele ano) com 11 fecharam o top 3.

Muller, Altintop e Robben eram os perigosos do lado bávaro, mas não acertaram a meta algumas vezes, e em outras pararam em defesas do arqueiro brasileiro. Assim, Zanetti levantou a taça da Champions para a Inter após 48 anos, um dos maiores jejuns da competição. Infelizmente, o lateral não foi convocado para a Copa de 2010 e o super holandês não ficou entre os 3 melhores do mundo naquele ano, algumas das maiores injustiças que esse esporte já fez. Até o fim do ano, a taça da SuperCoppa e do Mundial também foram levantadas para completar a hegemonia daquele time fantástico.

Foto destaque: Divulgação/Inter de Milão/Twitter.

Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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