Vergonha da Conmebol! Final da Taça “Destruidores” da América será na Europa

Decisão entre River Plate e Boca Juniors vai acontecer no Santiago Bernabéu, em Madri, na Espanha, por determinação e acordo da Conmebol
Vergonha da Conmebol! Final da Taça “Destruidores” da América será na Europa

Conmebol determinou, nesta quinta-feira (29), que o segundo jogo da final da Copa Libertadores da América será no estádio Santiago Bernabéu, em Madri, na Espanha, no dia 9 de dezembro, às 17h30 (horário de Brasília). Isso mostra um total descaso da Confederação de Futebol Sul-Americana com o continente, com a história que o torneio carrega, desde a nomenclatura até as disputas e, principalmente, com os torcedores. Contra todas as probabilidades, a entidade sul-americana conseguiu uma forma de estragar a decisão da Libertadores mais épica de todos os tempos entre a possível maior rivalidade da América do Sul e, quiçá, do mundo.

A negociação avançou na quarta-feira (28) e se concretizou hoje. A Conmebol já teve a aprovação da UEFA e do Real Madrid, clube dono do estádio, por intermédio do presidente merengue Florentino Pérez. Já foi assinado um memorando de entendimento entre todas as partes. A mudança do jogo, que teria que ter acontecido no último sábado (24), foi devido à violência por parte dos torcedores do River Plate frente ao ônibus que transportava os jogadores do arquirrival, Boca Juniors, até o estádio Monumental de Núñez, onde aconteceria o segundo confronto. Vários jogadores do Boca Juniors se machucaram por estilhaços dos vidros quebrados do ônibus, devido as pedras arremessadas, ou pelo uso de gás lacrimogêneo, por parte da polícia para tentar dispersar os exaltados torcedores do River.

Prós

Para os jogadores e clube é a melhor coisa que podia acontecer. Na América do Sul tudo se espelha na Europa: todos sonham em jogar em clubes grandes do “velho continente” e o emblemático Santiago Bernabéu não é diferente. Jogar no estádio do atual tricampeão da UEFA Champions League é o que a maioria dos jogadores do mundo quer e, claro, dos argentinos também. Além do sonho realizado, há o lado da vitrine. O duelo disputado na Espanha serve para que todos mostrem seu potencial ao mundo que, provavelmente, parará seus hobbies para ver esta final e muitos pela primeira vez na vida. É a chance dos jogadores aparecerem para clubes europeus e serem vendidos futuramente, ou imediatamente.

Para os clubes é a extensão da marca. Vão colocar seu nome ainda mais forte fora da América do Sul, conquistar novos adeptos e se tornar ainda maior. Tudo corrobora que a final dê certo no aspecto midiático e econômico, pois a imprensa europeia e as de maior poder aquisitivo da Argentina e do mundo, farão esta cobertura, é claro.

Contras

É uma pena que a final da Copa Libertadores seja disputada na Europa. Se não pode jogar na Argentina, por não haver segurança, autoridades incompetentes e torcida sem respeito, podem jogar em qualquer outra cidade da América do Sul. Quem não aceitaria sediar esta final? Santiago, Montevidéu, Assunção, Medellín, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, seja qual for, MENOS EM MADRI, MENOS NA EUROPA! Estão de sacanagem com o povo sul-americano?! ESTÃO RINDO DE NÓS! Isso machuca os torcedores. Não são todos os meios de comunicações que têm condições financeiras para viajar à Europa para cobrir o evento. A oportunidade de veículos pequenos da Argentina de fazer uma final épica, mesmo com poucas condições, fora por água abaixo.

É final de rico! Longe das condições financeiras do POVO! E com relação aos ingressos, devolverão o dinheiro dos torcedores do River Plate. É tudo por marketing visando mais dinheiro, fazer mais negócios onde tem mais grana. A Conmebol fracassa mais uma vez em “nos defender”! O Boca ameaçou não jogar, mas se não comparecer dão o título ao adversário“Plata, plata e plata”, é tudo que quer a Conmebol e seus envolvidos: DINHEIRO.

Fator histórico-político

O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, parece não conhecer história, talvez não tenha estudado na escola ou isso pouco importa. Ao presidente do River Plate, Rodolfo D’Onofrio, o mesmo. Libertadores é o termo usado para se referir aos líderes dos Movimentos de libertação da América Hispânica e do Brasil, nos séculos XVIII e XIX. Os Libertadores eram, na sua maioria, burgueses descendentes de europeus (principalmente de espanhóis e portugueses), influenciados pelo Liberalismo. Dentre os Libertadores, os mais influentes foram Simón Bolívar e José de San Martín, que se uniram contra o Império colonial espanhol pela liberdade da América do Sul.

No século XVI, a Espanha colonizou várias regiões da América com um sistema baseado na exploração dos recursos naturais e minerais das áreas dominadas. Povos como incas, astecas, maias e outros nativos, perderam suas terras e tiveram que seguir a cultura imposta pelos espanhóis. Estes povos nativos também tiveram que trabalhar de forma forçada para os colonizadores da Espanha. Ou seja, haverá uma final no país que ESCRAVIZOU E EXPLOROU SEU POVO, lindo, não?! E para os que pensam: “Ah, mas isso é passado!”, lembro-lhes que o passado não é apagado da história e a escravidão por parte dos espanhóis não se tornará bonita porque Lionel Messi joga em Barcelona que, diga-se de passagem, quase não é Espanha.

O processo de independência das colônias espanholas foi violento, houve resistência militar por parte da Espanha e as guerras geraram milhares de mortes de ambos os lados. Foram quase 300 anos de domínio espanhol, sendo a liberdade jogada no lixo. Símon Bolívar e, principalmente, San Martín, devem estar se revirando no túmulo uma hora dessas! E eu faço, sim, este manifesto contra o jogo fora da América do Sul e ainda cito San Martín:

“Faz mais barulho um único homem gritando que cem mil em silêncio” – José de San Martín

Eric Filardi

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 24 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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