Quais os segredos da vitória do Real Madrid?

No último sábado, 02 de abril, tivemos o maior clássico do mundo na atualidade, Barcelona e Real Madrid, pelo Campeonato Espanhol. Era um cenário totalmente favorável para o time catalão. Jogava em casa, líder do campeonato com 10 pontos de diferença do próprio rival da tarde, terceiro colocado e 6 do Atlético de Madrid, que já havia jogado e diminuído a diferença. Mesmo com tudo contra, o Real venceu de virada por 2 a 1. Piqué abriu o placar para o Barça, Benzema empatou de voleio, Bale marcou um, mas foi mal anulado pela arbitragem, mas Cristiano Ronaldo conseguiu fazer o gol da vitória tão merecida, fora de casa, vigando-se.

Veja quais foram os segredos de Zidane e do Real Madrid para vencer o Barça abaixo, e acompanhe os detalhes no restante da matéria:

1 – SACADA DE JAMES DO TIME TITULAR
2- ENTRADA DE CASEMIRO COMO PRIMEIRO VOLANTE
3- ESQUEMA COM 3 VOLANTES, LIBERANDO KROOS E MODRIC PARA CHEGAREM À FRENTE
4- MARCAÇÃO POR ZONA E NÃO INDIVIDUALMENTE

No primeiro turno, pela 12ª rodada do Espanhol, o Barça havia vencido o time merengue por 4 a 0, em pleno Santiago Bernabéu, casa do Madrid e sem Messi. Neymar, Suárez (2) e Iniesta deram conta do recado. O time da capital sofreu com as críticas e o técnico Rafa Benítez teve seu cargo ameaçado por Zinedine Zidane, auxiliar técnico. Mesmo vencendo os times fracos do espanhol, Benítez caiu e Zizou assumiu na última rodada do primeiro turno, estreando com um 5 a 0 sobre o La Coruña, com direito a hat-trick de boas vindas de Gareth Bale.

Zidane foi mantendo a base do time, testando alguns jogadores durante os jogos e viu que James Rodríguez estava com baixo rendimento, mesmo assim o manteve no time, porém, o substituía quase todo jogo. Após derrota no derby diante do Atlético por 1 a 0, o clima esquentou, Cristiano Ronaldo saiu reclamando publicamente do time e Zidane viu que precisava tomar uma atitude, pois contra os considerados rivais ao título, o Real pecava na marcação. No jogo seguinte, contra o Levante, colocou Casemiro na proteção da zaga, como primeiro volante. Desde então o volante não saiu mais do time, com direito a gol da vitória contra o Las Palmas, pela 29ª rodada.

Manteve James enquanto Modric se recuperava de lesão, quando voltou, o colombiano foi pro banco. Zizou utilizou à partir daí uma formação com 3 volantes: Casemiro, Toni Kroos e Modric.
Pra quem pensa que o time fica mais defensivo, é aí que se engana. Quando defende tem três volantes na marcação, e quando ataca, sobem os laterais e também Kroos e Modric, ficando Casemiro para num possível contra-ataque, terem três zagueiros (isso não se aplica em jogadas de bola parada e escanteios).

Kroos ficava muito preso fazendo a função de primeiro volante e que sabemos que ele tem mais qualidade de saída de jogo, do que de marcação. Tanto é verdade que a Seleção da Alemanha, que venceu o Brasil, utilizava Schweinsteiger como primeiro volante, liberando Khedira e Kroos para atacar. Kroos marcou duas vezes e Khedira uma, diante dos 7 a 1 no Brasil.

Este esquema vem sendo muito utilizado no futebol moderno, abrindo mão de um meia-armador clássico, ao estilo camisa 10, para ter um volante de forte marcação, dois de mais chegada na área e utilizando mais os laterais e atacantes de lado de campo. O próprio Barça joga assim, com Busquest ficando mais atrás e Rakitic e Iniesta à frente. O campeão francês Paris Saint Germain, utiliza esse esquema. São três volantes, Thiago Motta e Matuidi saindo pro jogo e Verratti ficando na contenção. A Juventus joga com Marchisio de primeiro volante e Khedira e Pogba são os volantes mais ofensivos. Outro gigante europeu que joga com esse esquema é o Manchester City, que tem o brasileiro Fernando guardando a zaga e Fernandinho e Yaya Touré chegando a frente.

Dentre todos esses times, temos Barça, Real Madrid, PSG, City, quatro times nas quartas de finais da Champions, a Juv que perdeu heroicamente para o Bayern de Munique, e a Seleção campeã do mundo.

Zidane deu um nó tático em Luis Enrique, ao marcar o time do Barcelona por zona e não individualmente. A capa do jornal Marca de hoje mostra muito bem isso. Casemiro marcando o jogador que estiver no seu setor seja ele do trio MSN ou não.

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As boas atuações de Casemiro já geraram apelidos na imprensa espanhola e na torcida meregue, fazendo crescer a pedida por ele na Seleção Brasileira de Dunga. O jornal Marca o apelida de ‘El Tanque’, já os torcedores já vem o chamando de Makélélé de Zidane.

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De fato Zizou mudou o estilo de jogo do Real Madrid jogar e mostrou que o Barcelona não é imbatível. A entrada de Casemiro é ponto crucial e peça chave nesse novo Madrid. Com esse esquema Kroos e Modric tem muito mais liberdade pra atacar, o que faz-se imperceptível a falta de um camisa 10, pois Marcelo apoia muito, Bale e CR7 voltam para marcar e Benzema sai da área para chamar jogo também. James vai ter que jogar muita bola pra voltar a esse time.

E a que se deve essa evolução tática de Casemiro? Mero acaso? Um jovem jogador, tido como promessa são-paulina, titular em alguns jogos mas acabou amargando a reserva até que foi vendido ao Real Madrid. Foi motivo de chacota pelos torcedores rivais e até imprensa brasileira. Teve algumas poucas chances no time espanhol e foi emprestado ao Porto em 2014.
Costumava jogar de segundo volante, saindo mais pro jogo, chegando ao ataque. No time português, foi recuado para primeiro volante, por o treinador alegou que o volante não tinha velocidade suficiente para puxar um contra-ataque. Casemiro foi muito bem pelo Porto, marcando duro, conseguindo até chegar à frente, fazendo inclusive golaços. Após um ano no time do Dragão, suas excelentes exibições fizeram com que em 5 de junho de 2015, o Real Madrid anunciasse o resgate do jogador. O Porto estava decidido a pagar os 15 milhões de euros para ficar com o jogador em definitivo, conforme o contrato, porém o Real Madrid pagou 7,5 milhões de euros para exercer sua opção de recompra, trazendo Casemiro de volta.

Desde a chegada de Zidane então, ‘El Tanque’ é destaque. Demonstra personalidade, amadurecimento, boa marcação, bom cabeceio, presença de área, e o melhor, faz o simples, não tenta inventar o que não sabe.

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 24 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

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