A incoerência de um sempre coerente Tite

A competência de Tite é inquestionável. O bom momento da Seleção passa por suas mãos. O prestígio recuperado é fruto de seu incessante trabalho. O sabático ano de estudos o elevou ao Panteão destinado aos grandes técnicos. Coerente, correto e extremamente profissional, Adenor Leonardo Bachi costuma prezar a sequência e o bom momento. Na convocação da manhã desta quinta-feira, 10, porém, o sempre coerente Tite foi incoerente, ao menos na escolha daqueles que defenderão a meta brasileira.

Para a disputa dos dois jogos das eliminatórias para a próxima Copa do Mundo, contra Equador e Colômbia, nos dias 31 de agosto e 5 de setembro, respectivamente, os goleiros convocados foram Ederson, Alisson e Cássio. Os dois primeiros simbolizam a juventude, enquanto o último, embora tenha sido chamado pela primeira vez, nada tem de aposta. Ao contrário, o goleiro do Timão parece ser o alicerce de um sistema defensivo já consolidado.

Ederson fez boa temporada com a camisa do Benfica. Não vale £ 40 milhões. Mas, contra gigantes, como o Bayern de Munique, fechou o gol. Não impediu a classificação dos bávaros, é verdade, mas as atuações seguras podem dar ao arqueiro de 23 anos a oportunidade de tornar-se protagonista a longo prazo.

Foto: ESPN

Alisson, por sua vez, não justificou sua convocação. No futebol italiano, foi banco de Szczesny na Roma na última temporada. Em solo brasileiro, pouco fez com a camisa do Internacional antes de ser vendido. Sequência, um vocábulo muito usado pelo culto Tite, não faz parte da rotina do goleiro gaúcho.

Sequência. Vocábulo que alegoriza os desempenhos fenomenais de dois goleiros que atuam no Brasil. O primeiro deles é Cássio que, desde o inédito título da Libertadores, conquistado pelo Corinthians, mantém níveis de atuações muito acima da crítica. Equilibrado, regular e seguro. Predicados de um goleiro merecidamente convocado. O segundo, injustiçado, é Vanderlei, do Santos. Discreto, pouco fala. Quase nunca concede entrevistas. Mas, em baixo das traves, desde os tempos de Coritiba, é gigante.

Foto: Revista Veja

Escolher o melhor em uma batalha entre Cássio e Vanderlei é uma tarefa injusta. O corintiano leva vantagem por vestir as cores do maior clube do Brasil, isto é inegável. Ter trabalhado com Tite talvez seja um diferencial.

É necessário dizer, porém, que a defesa do Corinthians é, com mais frequência, considerada a melhor do país. Ouvir que o Timão possui a defesa menos vazada virou clichê. No Santos, a exposição de Vanderlei é maior. Neste Brasileirão, esta constatação é nítida. Quando exigido, por sua vez, o camisa 1 do Peixe é igualmente brilhante.

Não ter sido convocado desta vez não representa o fim para Vanderlei. Se mantiver este desempenho, certamente terá uma oportunidade. Porém, desta vez, o sempre coerente Tite, ao falar em sequência, foi incoerente.

Sobre André Siqueira Cardoso

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 20 anos, e curso Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, USP. Sempre fui apaixonado por esportes e tenho o sonho de ser um jornalista que trabalhe na área esportiva, seja como comentarista, repórter ou apresentador. Aprecio uma boa partida de futebol, independentemente das equipes que estejam se enfrentando. Possuo um blog, no qual escrevo textos para expor minhas opiniões acerca de tudo o que acontece no futebol. Dentro do jornalismo, admiro e me espelho em nomes como Paulo Vinícius Coelho, Juca Kfouri, Thiago Leifert, Alexandre Praetzel e André Rizek.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 20 anos, e curso Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, USP. Sempre fui apaixonado por esportes e tenho o sonho de ser um jornalista que trabalhe na área esportiva, seja como comentarista, repórter ou apresentador. Aprecio uma boa partida de futebol, independentemente das equipes que estejam se enfrentando. Possuo um blog, no qual escrevo textos para expor minhas opiniões acerca de tudo o que acontece no futebol. Dentro do jornalismo, admiro e me espelho em nomes como Paulo Vinícius Coelho, Juca Kfouri, Thiago Leifert, Alexandre Praetzel e André Rizek.

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