Idi, Hrvatska!

Liderados por Modric, seleção croata, que já fez história, quer entrar para o Olimpo do futebol
Idi, Hrvatska!

Há quem diga que o grupo de campeões de Copa do Mundo é extremamente seleto e refinado para refutar a ideia de que a Croácia, inexpressiva no cenário futebolístico mundial, mereça ser campeã no próximo domingo. Outros lamentam o fato da França não poder enfrentar um adversário de camisa, como a Inglaterra, criadora do futebol e dona de um título, conquistado em 1966. A verdade, contudo, é que os croatas nada têm a ver com isso. Mesmo em uma chave teoricamente mais fraca, o selecionado capitaneado por Modric desbancou todos os adversários que ousaram cruzar seus caminhos, o que lhes permite sonhar com uma façanha muito maior do que esta que já foi alcançada.

Esta é a primeira vez que a Croácia disputa uma final de Copa do Mundo. O elenco atual, com a vitória desta quarta-feira contra o English Team, superou a marca do esquadrão do lendário Davor Suker, artilheiro do Mundial de 1998, com 6 gols. Naquela época, os croatas disputavam seu primeiro mundial e representavam um país recém-formado, marcado por uma recente cisão da União Soviética. Mais do que isso, era um grupo que estampava no peito o brasão de um país assolado pelas sangrentas guerras separatistas.

Nesta Copa do Mundo, na qual o brilho individual sucumbiu à eficiência dos esquemas táticos, a trajetória da Croácia foi lapidada pelo coletivo treinado por Zlatko Dalić. Na fase de grupos, arrasaram uma bagunçada e desorganizada Argentina, acachapantemente derrotada por 3 a 0. Em solo russo, a zaga mostrou-se uma fortaleza, segura, formada por Lovren e Vida, um icônico personagem desta Copa, seja pela espontaneidade com que beijou o fotógrafo atropelado após o segundo gol contra a Inglaterra, ou pelas polêmicas declarações que aludem ao tenebroso passado geopolítico inerente ao país. Na lateral direita, a válvula de escape tem sido Vrsaljko, que fez boa temporada vestindo a camisa colchonera do Atlético de Madrid. O meio-campo, motor do time, é extremamente técnico, cujo expoente advém da maestria de um genial Modric e da eficiência de seu parceiro, Rakitic.

No comando de ataque, explosão pelas laterais, com Rebic e Perisic, e a experiência e o faro de gols de Mandzukic, um jogador, cuja posição, a de centroavante, está em extinção.  O atacante da Juventus, aliás, de fato cumpre uma função tática, diferentemente daquela que Tite fez questão de exaltar em Gabriel Jesus. Na Itália, Mandzukic joga aberto, sempre incumbido de recompor a linha de meio-campo, para dificultar a subida dos laterais adversários. Com a camisa de sua seleção, ele não é um poste dentro da área, como seu biotipo pressupõe. Ao contrário, em várias ocasiões ele flutua na intermediária, a fim de permitir a infiltração dos pontas.

Foi assim, com um jogo extremamente coletivo, que a Croácia alcançou esta façanha. O feito é ainda mais destacável, se considerarmos que chegam à final tendo jogado três prorrogações, ou seja, um jogo a mais que os adversários franceses. Dentro de campo, os croatas mostraram uma demonstração de raça e equilíbrio mental, mesmo quando jogava pior que seu adversário, como foi contra a Dinamarca, ou quando esteve atrás do placar, como contra a Inglaterra.

O time de Dalić superou a fortíssima bola aérea da seleção treinada por Gareth Southgate e anulou o poder de finalização do artilheiro Harry Kane, apagado na noite desta quarta-feira. Agora, no próximo domingo, enfrentará a melhor seleção da Copa, cujo estilo de jogo se assemelha ao dos croatas. Os Bleus têm um brilho individual maior, casos de Mbappé, Griezmann e companhia, mas, no geral, não se trata de uma seleção que dependa única e exclusivamente dos lampejos da dupla, por exemplo. Como conjunto, a França é esplêndida, difícil de ser batida.

Contudo, quando trilar o apito e a bola rolar, a Croácia certamente não se entregará. A milhares de quilômetros de distância estará uma população aglomerada em Zagreb, ávida e sedenta por uma conquista que colocará seu país na eternidade. Se a taça vier, por um momento, a tensão que envolve a seleção dará lugar a um incontrolável orgulho. Mas, mesmo que fiquem com uma honrosa segunda colocação, o povo do leste europeu receberá os 23 jogadores de braços abertos, exaltando uma memorável campanha neste Mundial.

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 288 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 20 anos, e curso Jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, USP. Sempre fui apaixonado por esportes e tenho o sonho de ser um jornalista que trabalhe na área esportiva, seja como comentarista, repórter ou apresentador. Aprecio uma boa partida de futebol, independentemente das equipes que estejam se enfrentando. Possuo um blog, no qual escrevo textos para expor minhas opiniões acerca de tudo o que acontece no futebol. Dentro do jornalismo, admiro e me espelho em nomes como Paulo Vinícius Coelho, Juca Kfouri, Thiago Leifert, Alexandre Praetzel e André Rizek.

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