França comemora 20 anos do primeiro título de olho no bicampeonato

Após a inédita conquista de 1998, quando sediou o torneio, Les Bleus podem repetir a dose na Rússia
França comemora 20 anos do primeiro título de olho no bicampeonato

Um dia que os brasileiros preferem esquecer, mas que os franceses têm tatuado na alma. Hoje, 12 de julho, completam-se 20 anos daquela fatídica final no Stade de France, em Paris. De um lado, a dona da casa, França, que ainda não tinha tido o prazer de levantar o caneco máximo do esporte. Do outro, o então tetracampeão, Brasil, com um elenco recheado de craques e defendendo o título de 1994. A tradição de um pesado manto contra uma camisa que almejava fazer história!

A França chegou àquela decisão após um duelo emocionante contra a Croácia na fase anterior. Em um Stade de France lotado com 76 mil torcedores, os bleus chegaram a passar por sérios apuros na volta do intervalo quando, a um minuto do segundo tempo, o atacante Davor Šuker abriu o marcador a favor dos croatas. Foi então que um ídolo improvável apareceu. Menos de dois minutos depois, o zagueiro Liliam Thuram, improvisado de lateral-direito, empatou a partida após tabela com Djorkaeff. A consagração veio aos 24′. Após roubar a bola do meia Jarni, o mesmo Thuram bateu de canhota de fora da área e virou o placar, levando os azuis à sua primeira final em uma Copa do Mundo. Estes foram os únicos dois gols do defensor com a camisa da seleção, mas tais tentos foram vitais. 2 x 1 e oportunidade de decidir o título em casa.

Já a vaga brasileira foi um pouco mais difícil de ser carimbada. Na semifinal contra a Holanda, no Stade Vélodrome, em Marselha, Ronaldo colocou os então tetracampeões em vantagem após passe de Rivaldo. Após algumas chances perdidas pela Seleção Canarinho e muita insistência dos herdeiros da Laranja Mecânica, veio o castigo. Em cruzamento de Ronald de Boer da ponta direita, Kluivert cabeceou e empatou a partida, levando as equipes à prorrogação. A permanência do empate fez com que o jogo tivesse de ser decidido nas penalidades máximas, e foi aí que Taffarel se consagrou. As defesas do goleiro nas cobranças de Cocu e de R. de Boer somadas às conversões de Ronaldo, Rivaldo, Emerson e do capitão Dunga conduziram o Brasil à sua segunda final consecutiva. 4 x 2 no placar dos pênaltis.

Chegou então o esperado 12 de julho. Aquele domingo, no entanto, não começou nada bem. Antes da final, a estrela do Brasil, Ronaldo, apresentou convulsões e teve de ser internado. Mesmo assim, após muito insistir, foi escalado pelo técnico Zagallo para a grande decisão em Paris contra os donos da casa. O esforço foi válido, mas de pouco adiantou. Aos 27 minutos do primeiro tempo, em cobrança de escanteio, Zidane se antecipou à marcação e cabeceou, abrindo o marcador. Aos 46′, já nos acréscimos da etapa inicial, o camisa 10 francês novamente anotou de cabeça, ampliando o placar a favor dos bleus.

No segundo tempo, o que se viu foi uma França segurando o resultado que lhe dava o título inédito e um Brasil visivelmente abalado. E o banho de água fria veio nos acréscimos. Após receber bola enfiada, Petit tocou na saída de Taffarel e sacramentou o título em grande estilo. 3 x 0 em cima dos então tetracampeões do mundo. Coube ao volante e capitão Didier Deschamps erguer a principal taça da galeria francesa. Na premiação, Ronaldo foi eleito o melhor jogador e Barthez o melhor goleiro do torneio, além de outros jogadores do plantel na seleção da copa, como Desailly, Thuram e o próprio Zidane.

Terceira final em vinte anos

Em 2018, na Copa do Mundo realizada na Rússia, a França mais uma vez poderá fazer história. No próximo domingo (15), em Moscou, Les Bleus farão a reedição daquela semifinal de 1998 contra a Croácia, que garantiu a vaga para sua primeira finalíssima após bater a Inglaterra. Essa será a terceira final da seleção francesa, que já havia disputado outra decisão em 2006, na Alemanha. Naquela ocasião, perdeu nos pênaltis para a Itália, que se consagraria a primeira tetracampeã do continente europeu. Aquele jogo ainda seria o último disputado por Zidane, expulso após cabeçada em Materazzi no segundo tempo da prorrogação. Apesar do inconveniente, o camisa 10 francês, que anunciou o fim da carreira após a partida, foi eleito o melhor jogador do torneio.

Os comandados de Didier Deschamps, que chegam à final após vencer a Bélgica em São Petersburgo na última terça (10), já escreveram seus nomes na memória dos franceses. Jogadores que estiveram presentes na Copa do Mundo de 2014, como Griezmann, Pogba, Varane e Lloris, somado a uma nova geração, com Mbappé, Pavard e Dembélé, formam um elenco jovem se comparado aos demais plantéis do campeonato, mas que vem demonstrando, até aqui, um futebol digno de campeão. Por falar em Deschamps, o capitão da conquista inédita e atual técnico dos bleus pode entrar para um seleto grupo de ex-jogadores que foram campeões tanto atuando quanto treinando. Atualmente, somente Zagallo e Beckenbauer conseguiram tal feito. Enquanto o brasileiro detém os títulos de 1958 e 1962 como atleta e 1970 como treinador, o alemão repetiu a dose sendo vencedor no campo em 1974 e à beira do gramado em 1990.

Samuel Lima

Sobre Samuel Lima

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"O garoto que gostava de ficar na banheira quando jogava bola na 4ª série cresceu. A partir da 6ª série, passou a elaborar as jogadas, a ter uma melhor visão de jogo, uma melhor visão de mundo. A vida de jogar bola parou há algum tempo, mas a visão de jogo permanece. E é essa mesma visão que ajudará esse jovem de 21 anos a elaborar as ideias relacionadas a esse esporte que está muito além das quatro linhas convencionais de um campo de futebol. Da minha querida Inácio Monteiro para o mundo da bola, com prazer, Samuel!"

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