Conheça Léo Baptistão, o mais novo brasileiro na Superliga Chinesa

Atacante pouco conhecido no Brasil já jogou com Neymar e se profissionalizou na Espanha

Leonardo Carrilho Baptistão, mais conhecido como Léo Baptistão, é um atacante brasileiro de destaque na Espanha, mas pouco conhecido no Brasil, onde nunca atuou profissionalmente. Foi recém-contratado pelo Wuhan Zall, atual campeão da Chinese League One (2ª Divisão Chinesa), e que disputará a Superliga Chinesa 2019. O jogador acertou a transferência por seis milhões de euros (R$ 25,4 milhões).

O início

Natural do litoral paulista, mais precisamente em Santos, o jogador começou a jogar futebol nas categorias de base da Portuguesa Santista. Começou no futsal da equipe, juntamente a Neymar, depois foram para o campo. Os atletas tomaram rumos diferentes. Ambos revelados por Betinho, então técnico da Briosa Mirim, Ney foi levado para o Santos pelo ex-jogador do Alvinegro Praiano, Zito, enquanto Léo foi para o Rayo Vallecano, da Espanha, aos 15 anos, levado por José Antônio Feijó, também ex-jogador do Santos.

Haroldo Carrilho Baptistão, pai de Léo, trabalhava junto a Feijó na Ótica da família Baptistão, localizada na rua Amador Bueno, no centro da cidade de Santos. Com diversos contatos no meio futebolístico e acostumado a ir à Espanha, Feijó aceitou o pedido de seu amigo e companheiro de trabalho para arrumar um teste para seu filho na Europa. O ex-jogador não só levou o atacante à Europa, como foi um segundo pai para o jovem atleta, uma vez que teria que ficar longe da família:

“Fui o anjo que apareceu na vida dele para poder levá-lo e, como tal, passei a ser não só um anjo da guarda, mas também como um segundo pai dele na Espanha. Fiquei muito satisfeito, muito feliz, porque ele tinha uma conduta que ajudava para que as coisas acontecessem”, contou Feijó.

Léo foi sucesso nas categorias de base do Getafe, clube de Madri. Voltou ao Brasil para buscar as roupas de frio, mas, quando regressou à Espanha, precisou trocar de clube, pois o Rayo Vallecano era o único que oferecia alojamento aos jovens atletas. No entanto, Léo contraiu hepatite e teve que voltar para casa para ser tratado.

Curado e pronto para voltar, foi impedido pela Real Federação Espanhola de Futebol, tendo que ser emprestado ao San Fernando de Henares, clube do qual o Rayo tem uma espécie de convênio, emprestando jovens jogadores para ganhar experiência. E foi lá onde conquistou seu primeiro título: o Torneio de Segovia (Sub-18), sendo também o artilheiro do time.

A veia futebolística

Sem “trocadilhos de merchandising”, mas o mais novo brasileiro contratado do futebol chinês tem futebol nas veias. O santista é filho de Haroldo Baptistão, o “Mala-raça”, ex-jogador do Lucélia FC, na década de 1980, onde defendeu as cores do Alvianil na antiga Copa Alta Paulista e Copa Osvaldo Cruz, competições amadoras do futebol brasileiro. Antes disso, seu avô, Romeu Baptistão, também atuou pelo Lucélia, na década de 1950. Celsinho Baptistão, seu primo de segundo grau, foi titular na Ponte Preta, de Campinas, na década de 80 sendo, inclusive, bicampeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1981 e 1982.

Do Rayo foi para o Atlético de Madrid, sendo sua grande chance da carreira com apenas 21 anos. Vivendo um momento “gratificante”, como gosta de definir. O bom desempenho do meia-atacante rendeu uma comparação ousada por parte da sempre exagerada imprensa espanhola. Mesmo com poucas partidas no currículo, o brasileiro foi apontado pelo site do jornal “As” como candidato a “novo Messi”. Ciente do que o ídolo argentino representa, o brasileiro mantinha os pés no chão: “Ainda estou longe do futebol dele. Ainda tenho que correr muito, mas é claro que fiquei feliz com a comparação”.

No clube colchonero sofreu com a disputa de posição, uma vez que rivais como Diego Costa e David Villa eram os titulares, o que o fez perder espaço em pouco tempo de clube. Foi emprestado para o Bétis, depois voltou ao Rayo Vallecano e posteriormente repassado ao Villarreal. Até que, em 2013, finalmente foi vendido ao Espanyol de Barcelona e pode desenvolver seu futebol, ser titular e começar a ganhar os holofotes como um dos destaques da La Liga, mesmo que coadjuvante. O jornalista Jesus Colino, também do “As”, aprovou o rendimento de Léo, mas faz uma ressalva:

“As pessoas confiam muito nele, mesmo ainda sendo muito jovem. Tem sido titular quase sempre e, assim como todo o clube, está fazendo um início de temporada surpreendente. Em alguns momentos, dá para ver sinais de inexperiência, mas é totalmente normal”.

As dificuldades

Apesar de relativo sucesso para um garoto totalmente desconhecido no Brasil e na Espanha, Léo passou dificuldades também com a saudade dos familiares:

“É muito difícil administrar a saudade. Mesmo com celular e internet, que ajudam bastante, não é a mesma coisa. Eu falava muito com meus pais e amigos pelo telefone, isso me ajudava um pouco. Com o passar do tempo, fui me adaptando melhor. Ainda sinto falta do Brasil, da minha família, de sair com os meus amigos e do clima de Santos. Adoro aquela cidade”, lembra o jogado que também falou das dificuldades com lesões logo quando começava a despontar no Vallecano: “No último jogo da pré-temporada, contra o Sporting de Gijón, quebrei a clavícula. Passei três meses me recuperando. Na minha volta aos gramados, contra o Getafe B, não durei nem cinco minutos. Logo no primeiro lance, levei outro golpe e tive uma recaída da lesão. Depois de me recuperar da lesão na clavícula, quebrei o pé esquerdo. Foi um ano horrível”, lamentou.

Principais características

Léo Baptistão ficou durante duas temporadas e meia no Espanyol, onde disputou 86 partidas, tendo marcado 18 gols e dado outras 12 assistências, sendo essa suas melhor fase da carreira. Aos 26 anos, acertou sua ida para o emergente futebol chinês e fará dupla de ataque com Rafael Silva, o brasileiro Matador do Oriente.

O meia-atacante pode jogar em todas as posições do ataque, além de a função de meia-atacante, mais próxima ao gol. Exímio cabeceador, é um perigo para os rivais nas bolas aéreas, pois sabe usar muito bem de seus 1,85 cm para impulsionar e direcionar onde quer colocar a bola. Técnico, tem faro de gol, é oportunista e, o principal, tem frieza frente ao goleiro, demonstrando extrema tranquilidade. Mesmo alto, é rápido, o que faz ser um diferencial.

Sobre Eric Filardi

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Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 24 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia.Sou Eric Filardi, paulistano de 24 anos, jornalista de formação e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, sou Peixe, sou Palestra e sou Timão. Sou da Colina, Botafogo, sou Flu e sou do Mengão. Sou Brasil, sou Hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 a 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões, sou Clássico das Multidões. Sou sul, sou nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, sou Raposa, sou Bavi e sou Grenal. Sou Ásia, sou África, sou Barça e sou Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas, que o estádio incendeia, sou Futebol na Veia.
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