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A FOGUETEIRA DO MARACANÃ

Por Mário André Monteiro

Até hoje já foram disputadas 17 Copas do Mundo, e o Brasil esteve presente em todas as edições. Mas antes de participar da grande disputa entre as equipes do planeta, a nossa seleção teve que encarar, quase sempre, as eliminatórias sul-americanas.

E foi justamente em uma dessas eliminatórias, a que classificava as seleções para a Copa da Itália, em 1990, que o nosso país ficou conhecendo uma dessas figuras que conquistam seus 15 minutos de fama e somem repentinamente.

Tudo começou num domingo, mais precisamente no dia 3 de setembro de 1989. Brasil e Chile se enfrentavam no estádio do Maracanã lotado. Nós precisávamos somente de um empate para assegurar a vaga para a Copa de 90; para os chilenos, só a vitória interessava. O clima dessa partida era tenso, já que o jogo em Santiago, 20 dias antes, tinha sido uma guerra, com placar de 1 a 1.

Até aí tudo bem. Nosso time era totalmente superior ao do Chile, a torcida estava ao nosso favor e o empate era nosso. Ainda mais quando Careca fez 1 a 0 para o Brasil logo no começo da etapa final. Todos imaginavam que o jogo estava no papo e a classificação para a Copa garantida, quando de repente um sinalizador luminoso de navio caiu próximo ao goleiro chileno, aos 24 minutos do segundo tempo. E foi o que bastou.

A confusão estava armada. O goleiro Roberto Rojas começou a encenação, simulando que o foguete havia atingido seu rosto. Todos correram para cima dele para ver o que tinha acontecido e no meio de toda a bagunça formada, cortaram o rosto de Rojas com gilete e jogaram mercúrio por cima. A tentativa chilena de prejudicar o Brasil, no entanto, foi por água a baixo. A FIFA considerou o ato do goleiro como sendo de mau caráter e baniu o jogador do futebol, além de penalizar a seleção do Chile, deixando-a de fora das Copas de 90 e 94.

Mas quem teve a infeliz idéia de soltar um foguete apontando para o goleiro adversário em um jogo deste porte? Rosenery Mello. Até então desconhecida, da noite para o dia a loirinha, e assustada, niteroiense estampava as capas dos principais jornais do país. Até hoje ela é conhecida como "A Fogueteira", título que lhe rendeu inclusive a capa da revista Playboy do mês de novembro de 1989. E o pior é que a edição vendeu bem, em um ano que a revista teve capas como Elba Ramalho e Françoise Furton.

Dois pesos, duas medidas

O chileno Rojas sofreu muito com a punição imposta pela FIFA. Porém, alguns anos depois, o ex-jogador conseguiu emprego no Brasil como preparador de goleiros do São Paulo Futebol Clube e, depois de um bom tempo, foi efetivado como técnico do time. Até que o destino não reservou um final tão ruim para o vilão daquela época.

E Rosenery? Na ocasião soube cavar um espaço surpreendente na mídia e curtiu bastante o pequeno período de glória, seus famosos “15 minutos de fama”. Mas pelo visto, o gordo cachê embolsado pela loira quando saiu na capa da principal revista masculina do país, não rendeu muito. Muitos ainda perguntam por onde anda a famosa “Fogueteira” do Maracanã. Dizem as más línguas que hoje ela vende cachorro quente na cidade de Brasília. Será?

Realmente as coisas mudaram muito na vida desses dois personagens principais daquele jogo histórico em setembro de 1989.

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