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Parte
do time mora em Gaza, onde existe um único campo de grama; outra
parte mora na Cisjordânia – e em nenhum desses territórios
ocupados por Israel existe campeonato de futebol desde 2000. Para
preencher a convocação, vêm descendentes palestinos de outros
países. É raro ter todos juntos num só lugar para treinar. Quando
acontecem, os treinos são no Egito. E os jogos “em casa” são em
Doha, no Catar.
Com tanta
adversidade, como vai a seleção da Palestina?
Até que começou
bem as Eliminatórias para a Copa de 2006. Largou na frente no
Grupo 2 da Ásia, com uma goleada de 8 a 0 em Taiwan, em fevereiro
de 2004, e um empate de 1 a 1 com o Iraque, em março do mesmo ano.
Mas depois, perdeu duas vezes para o Uzbequistão, perdeu para o
Iraque e ganhou novamente de Taiwan. A Palestina terminou a 1ª
fase na 3ª colocação do grupo, com 7 pontos, dando adeus à
Alemanha 2006.
Passar de fase
já seria glória maior para uma nação sem Estado que, por enquanto,
só é país oficial no futebol.
A Palestina foi
readmitida pela Fifa em 1998. Chegou a disputar as Eliminatórias
da Copa de 1934 (foi eliminada pelo Egito) antes de ser ocupada
pelas tropas britânicas. Deixou de existir como país com a criação
de Israel, em 1948, exatamente na região que ocupava.
A reentrada
prática no futebol internacional veio com a primeira vitória nas
Eliminatórias para a Copa de 2002: 1 a 0 sobre a Malásia, em Março
de 2001, em Hong Kong, gol do atacante Mohammed Al Jeesh, primeiro
ídolo dessa retomada do futebol palestino. O jogador morava num
acampamento de refugiados.
Porém, nos
últimos dois anos, Al Jeesh sumiu da escalação. O atual técnico
Alfred Riedl nem mesmo tem informações atualizadas sobre ele.
A prioridade
passou a ser chamar palestinos que moram em outros países. Eles
podem trafegar pelo mundo com mais liberdade e rapidez. Os
“importados” também chegam com mais ritmo de jogo porque jogam em
clubes. Os habitantes dos territórios ocupados só fazem alguns
treinos: os de Gaza, com o auxiliar de Riedl; os da Cisjordânia
seguem uma cartilha de exercícios e tarefas táticas.
Além de manter a
convocação de atletas do clube chileno Palestino implantada pelo
antecessor Nicola Radwa, Riedl usou outra tática: publicou anúncio
na revista alemã “Kicker”, conclamando palestinos do mundo todo a
se juntares à seleção. Nesse improviso, pelo menos nos campos de
futebol, a Palestina começa a ter seu espaço.
Fonte:
Revista 10 |