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VATICANO: O SANTUÁRIO DO FUTEBOL

O Papa João Paulo 2º foi goleiro amador na sua Polônia natal. Seria por isso que o Vaticano, país pouco maior que um campo oficial, tem campeonato? Não: a bola já rolava religiosamente por lá bem antes de Karol Wojtyla chegar.

Na sua encíclica papal de 1990, “Redemptorist Misso”, o Papa João Paulo 2º reafirmou a função dos missionários da Igreja Católica como sendo a de “renovar a Igreja, revitalizar a identidade cristã e oferecer incentivo e entusiasmo. A fé se fortalece quando dada aos outros”.

Só que 17 anos antes, quando o Papa ainda era Paulo 6º, Pelé estava aposentado da seleção brasileira e a Holanda de Cruyff se preparava para encantar o mundo, o ideal que Karol Wojtyla (nome de batismo de João Paulo 2º) oficializaria na encíclica, já estava sendo posto em prática por meio do esporte mais popular do mundo, o futebol.

Futebol, Itália e Igreja Católica. Qual o resultado dessa equação? Um campeonato de futebol no Vaticano.

Jogos no “exterior”

O menor país do mundo, com 0,44 km², cerca de 900 habitantes e cujo principal produto de exportação são selos e lembranças para turistas, também tem um campeonato nacional. Amador, é verdade, mas nem por isso deixa de criar expectativa.

Bruno Luti, funcionário do jornal “L’Osservatore Romano”, o diário oficial da Igreja Católica, explica que os esportes têm valores muito ligados à juventude. Daí, a idéia de um torneio entre os dependentes dos diversos setores do Vaticano. Luti também é um dos responsáveis pela implantação da idéia, 31 anos atrás, juntamente com Sergio Valci, hoje já aposentado, e Enrico Otaviani. Eles queriam um evento que congregasse eclesiáticos e laicos, ou seja: padres e pessoas comuns.

Em 1973, o primeiro torneio teve poucos times e foi vencido pelo conjunto do jornal oficial, então chamado “Astor Osservatore Romano”. Já no ano seguinte, o afluxo de setores dispostos a montar times era tamanho que foi necessária uma alteração no formato, adotando o módulo de todos contra todos, em jogos de ida e volta.

E será que as partidas são dentro da Capela Sistina? Nada tão profano assim. O campeonato do Vaticano é o único disputado no “exterior”. Situado em Roma, encravado entre a Villa Doria Pamphilli e o Parco Adriano, o Vaticano não tem um estádio próprio. Ao longo dos anos, o palco das disputas foi o Complexo Esportivo Pio 12, próximo à Piazza San Pietro.

A aparição de um insólito torneio como o do Vaticano não demorou para chamar a atenção da mídia italiana e internacional. Assim, pipocaram convites de federações que queriam programar partidas amistosas contra uma “seleção” do Vaticano.

Na história, o Estado Católico enfrentou adversários como San Marino, Eslovênia e Áustria. O pequeno número de cidadãos impede também que o Vaticano seja filiado à UEFA como membro participante e, conseqüentemente, que obtenha vaga para quaisquer torneios internacionais.

E o Papa? Karol Wojtyla é sabidamente um apreciador de futebol: foi goleiro na juventude e vestiu as cores do Cracóvia, na Polônia. Mas será que ele veste a camisa e acompanha os jogos da série A do Vaticano?

O número de clubes participantes varia entre seis e nove, dependendo da disponibilidade de atletas nos diversos setores. O último disputado no inverno europeu, foi vencido pelo time dos Museus do Vaticano. Contudo, é possível que o campeão não esteja presente no próximo torneio, caso não haja “quorum” de atletas. Além da fé católica, parece que o Brasileirão tem outra coisa em comum com o campeonato do Vaticano. Com uma diferença: lá, provavelmente, vitórias no tapetão custam a eternidade no Purgatório.

Curiosidades

- O campeonato no Vaticano começou em 1973 e, a partir de 1978, passou a existir a Copa do Vaticano.

- Os únicos cidadão do Vaticano são aqueles que pertencem à Gendarmeria (vigilância do Estado) e à Guarda Suíça.

- A Piazza San Pietro localiza-se a 8,4 km do Estádio Olímpico, onde Roma e Lazio mandam seus jogos no campeonato Italiano.

- Os setores que mantêm times disputando o campeonato do Vaticano com maior continuidade são: L’Osservatore Romano, Tipografia, Guarda Suíça, Museus do Vaticano, Serviços Técnicos, Serviços Econômicos, Gendarmeria, IOR (Banco do Vaticano), Biblioteca e Rádio Vaticano.

- Até 1975, os funcionários da residência de verão do Papa, em Castelgandolfo (região de Roma), também participavam do campeonato.

- A equipe de Rádio Vaticano tem um brasileiro em suas linhas.

- Historicamente, os times L’Osservatore Romano, Gendarmeria e Guarda Suíça, estão sempre entre os mais fortes.

Fonte: Revista 10

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