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Não sei se a partir desta opinião
formarei consenso, mas ao assistir à partida em que Alemanha e
Argentina empataram por 2 a 2 passei a acreditar piamente que o
Brasil só perde a Copa de 2006 para ele mesmo. Nenhuma das duas
seleções, potenciais adversárias na jornada ao hexacampeonato e
que juntas somam cinco títulos mundiais, mostrou bom futebol. A
Alemanha, no máximo, foi aguerrida. A Argentina, por sua vez,
jogou um futebol de se lamentar, passou boa parte do jogo
encurralada e se safou da derrota graças a dois gols de Crespo.
Pode-se
argumentar que a Argentina estava desfalcada de Samuel, Killy
Gonzalez, Tevez, Aimar, entre outros. Mas eu, particularmente,
esperava um futebol melhor de Riquelme, Saviola e Sorín, presentes
em campo no amistoso. Pelo andar da carruagem, a Argentina vai
conquistar a vaga para o mundial com facilidade, levando como
currículo uma campanha soberba nas eliminatórias sul-americanas.
Na hora H, porém, quando o bicho pega, na Alemanha 2006, vai
tremer para seleções européias de nível mediano, como Inglaterra e
Suécia e Romênia (lembram de 1994?).
Por falar em
nível médio...A seleção anfitriã da próxima Copa do Mundo tenta
não fazer feio em campo. Sob comando do outrora atacante Jürgen
Klinsmann, os teutos farão de tudo para apagar o recente histórico
de fracassos. Desde a Euro 1996 o país não vence nada. Na Copa da
França, foi humilhado pela Croácia nas quartas. Na Eurocopa de
2000 não passou da primeira fase. Só em 2002, com um time
limitadíssimo, chegou à final do mundial da Coréia/Japão, mas com
um futebol pra lá de pragmático. O último ato desta tragédia que
vem sendo escrita na gradação do tempo decorreu na edição passada
da Euro, na qual os alemães empataram dois jogos e perderam
outro.
Pior que
isso, a Alemanha passa por uma sistemática crise de rarefação de
talentos. Nos últimos tempos, a solução encontrada para contornar
o fraco celeiro foi a importação de atletas, digamos, razoáveis,
como Kuranyi, Klose, Asamoah e Paulo Rink (!!). O único bom
jogador de seu esquadrão é o impronunciável
Schweinsteiger, meia que atua de cabeça
erguida e tem alguns lampejos de criatividade. No mais, o bando
parece um exército, todo quadradinho, bem postado, mas muito,
muito fraco, com setores falhos que vão da linha de volantes aos
dois goleiros, Kahn e Lehmann, que podem entregar a vitória ao
adversário num piscar de olhos.
Em outro amistoso, Portugal foi
derrotado pela Irlanda, 1 a 0, em Dublin. O time de Felipão, só
para citar, é o atual vice-campeão europeu. O campeão é a Grécia.
Vê se pode. Em outro duelo de forças do Velho Continente,
Inglaterra e Holanda ficaram no zero em Birmingham. Não vi o
confronto, mas imagino que tenha sido aquele jogo chato, com
poucas chances de gol, sofrível.
O time de futebol mais chato do mundo, a Itália, venceu bem pela
primeira vez em muitos anos, 2 a 0 sobre a Rússia, em Cagliari. A
Itália, tri mundial, não fica atrás da Alemanha no quesito
resultados ruins. Tem alguns bons valores, porém Marcelo Lippi tem
de se virar com um plantel envelhecido e perdedor. A Azurra perdeu
marcantes decisões nos pênaltis em três Copas seguidas, caiu na
prorrogação da Euro 2000 contra a França em um jogo que tinha a
nove dedos na taça e malogrou em 2002 e na Euro 2004, quando, a
exemplo da Alemanha, saiu na fase inicial.
A França parece ter caído na real de que os títulos de 1998 e 2000
foram frutos do acaso, ou melhor, de Zidane. Os bleus empataram
por 1 a 1 com a Suécia, em Paris, órfãos de seu principal craque.
Não houve uma renovação de qualidade e, por conseqüência, há um
abismo enorme entre alguns componentes do elenco, seja de idade,
seja de técnica. A eterna promessa européia, Espanha, sapecou 5 a
0 em San Marino, coisa normal de equipes que só se agigantam
diante de times fraquíssimos.
Pois é, pelo jeito o Brasil leva mais um caneco em 2006. Não pelo
futebol que vem apresentando, mas pelo baixo nível da
concorrência. Se Parreira levar a equipe que fez 7 a 1 em Hong
Kong o mundial já será uma barbada. Como ainda levará Ronaldo,
Adriano, Kaká e Edmilson, vai ser como brincadeira. O único alerta
que faço é para o risco Parreira. É capaz que, contra times
europeus, o técnico, tão afeito àquele continente, proponha que o
Brasil deixe o jogo equilibrado de propósito, e a seleção
canarinho se complique. |