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BRASIL RUMO AO HEXA
10/02/2005

Paulo Roberto Conde
pconde84@uol.com.br

Não sei se a partir desta opinião formarei consenso, mas ao assistir à partida em que Alemanha e Argentina empataram por 2 a 2 passei a acreditar piamente que o Brasil só perde a Copa de 2006 para ele mesmo. Nenhuma das duas seleções, potenciais adversárias na jornada ao hexacampeonato e que juntas somam cinco títulos mundiais, mostrou bom futebol. A Alemanha, no máximo, foi aguerrida. A Argentina, por sua vez, jogou um futebol de se lamentar, passou boa parte do jogo encurralada e se safou da derrota graças a dois gols de Crespo. 

Pode-se argumentar que a Argentina estava desfalcada de Samuel, Killy Gonzalez, Tevez, Aimar, entre outros. Mas eu, particularmente, esperava um futebol melhor de Riquelme, Saviola e Sorín, presentes em campo no amistoso. Pelo andar da carruagem, a Argentina vai conquistar a vaga para o mundial com facilidade, levando como currículo uma campanha soberba nas eliminatórias sul-americanas. Na hora H, porém, quando o bicho pega, na Alemanha 2006, vai tremer para seleções européias de nível mediano, como Inglaterra e Suécia e Romênia (lembram de 1994?). 

Por falar em nível médio...A seleção anfitriã da próxima Copa do Mundo tenta não fazer feio em campo. Sob comando do outrora atacante Jürgen Klinsmann, os teutos farão de tudo para apagar o recente histórico de fracassos. Desde a Euro 1996 o país não vence nada. Na Copa da França, foi humilhado pela Croácia nas quartas. Na Eurocopa de 2000 não passou da primeira fase. Só em 2002, com um time limitadíssimo, chegou à final do mundial da Coréia/Japão, mas com um futebol pra lá de pragmático. O último ato desta tragédia que vem sendo escrita na gradação do tempo decorreu na edição passada da Euro, na qual os alemães empataram dois jogos e perderam outro. 

Pior que isso, a Alemanha passa por uma sistemática crise de rarefação de talentos. Nos últimos tempos, a solução encontrada para contornar o fraco celeiro foi a importação de atletas, digamos, razoáveis, como Kuranyi, Klose, Asamoah e Paulo Rink (!!). O único bom jogador de seu esquadrão é o impronunciável Schweinsteiger, meia que atua de cabeça erguida e tem alguns lampejos de criatividade. No mais, o bando parece um exército, todo quadradinho, bem postado, mas muito, muito fraco, com setores falhos que vão da linha de volantes aos dois goleiros, Kahn e Lehmann, que podem entregar a vitória ao adversário num piscar de olhos. 

Em outro amistoso, Portugal foi derrotado pela Irlanda, 1 a 0, em Dublin. O time de Felipão, só para citar, é o atual vice-campeão europeu. O campeão é a Grécia. Vê se pode. Em outro duelo de forças do Velho Continente, Inglaterra e Holanda ficaram no zero em Birmingham. Não vi o confronto, mas imagino que tenha sido aquele jogo chato, com poucas chances de gol, sofrível. 

O time de futebol mais chato do mundo, a Itália, venceu bem pela primeira vez em muitos anos, 2 a 0 sobre a Rússia, em Cagliari. A Itália, tri mundial, não fica atrás da Alemanha no quesito resultados ruins. Tem alguns bons valores, porém Marcelo Lippi tem de se virar com um plantel envelhecido e perdedor. A Azurra perdeu marcantes decisões nos pênaltis em três Copas seguidas, caiu na prorrogação da Euro 2000 contra a França em um jogo que tinha a nove dedos na taça e malogrou em 2002 e na Euro 2004, quando, a exemplo da Alemanha, saiu na fase inicial. 

A França parece ter caído na real de que os títulos de 1998 e 2000 foram frutos do acaso, ou melhor, de Zidane. Os bleus empataram por 1 a 1 com a Suécia, em Paris, órfãos de seu principal craque. Não houve uma renovação de qualidade e, por conseqüência, há um abismo enorme entre alguns componentes do elenco, seja de idade, seja de técnica. A eterna promessa européia, Espanha, sapecou 5 a 0 em San Marino, coisa normal de equipes que só se agigantam diante de times fraquíssimos. 

Pois é, pelo jeito o Brasil leva mais um caneco em 2006. Não pelo futebol que vem apresentando, mas pelo baixo nível da concorrência. Se Parreira levar a equipe que fez 7 a 1 em Hong Kong o mundial já será uma barbada. Como ainda levará Ronaldo, Adriano, Kaká e Edmilson, vai ser como brincadeira. O único alerta que faço é para o risco Parreira. É capaz que, contra times europeus, o técnico, tão afeito àquele continente, proponha que o Brasil deixe o jogo equilibrado de propósito, e a seleção canarinho se complique.

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