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O Sport Club
Corinthians Paulista é o time mais badalado do futebol brasileiro
nesse começo de ano. Por meio da parceria que entregou o
departamento de futebol do clube ao fundo de investimentos MSI,
foram trazidos alguns bons jogadores, como Carlos Tevez, Sebá
Dominguez, Carlos Alberto, Marcelo Mattos e Marinho. A grana
investida foi mais comentada do que, propriamente, as
contratações.
Carlitos vale
aquilo tudo que se lhe pagou? Duvido muito, embora reconheça sua
personalidade e oportunismo, qualidades que o fizeram conquistar,
a poucos dias de completar 21 anos, uma Taça Libertadores, um
torneio olímpico e um Mundial Interclubes. O zagueiro Sebástian "Sebá"
Dominguez, há pouco campeão argentino pelo Newell's Old Boys,
chega à equipe de Parque São Jorge com fama de xerife, e tudo o
mais. Mas, leitor, seja sincero, você ouviu alguma vez seu nome
antes de ele ser contratado?
Carlos Alberto,
outro medalhão precoce, pensa já ter conquistado todas as glórias
da vida. Logo em seu desembarque no Corinthians afirmou, com todas
as letras, "Tevez e Vagner Love (este nem sequer contratado) vão
cansar de fazer gols comigo". Há de se respeitar o fato de o jovem
meia ter ganhado tudo que disputou pelo FC Porto no ano passado a
Liga dos Campeões, Campeonato Português e Mundial Interclubes.
Creio, entretanto, ser cedo para convencer-se de que é tão
produtivo e eficaz como se descreve. À cabeça quente e, desde a
saída de José Mourinho do clube portista, caiu em desgraça com a
torcida, com o técnico Victor Fernández, e, principalmente, com a
bola.
Quanto aos menos
atingidos pelos holofotes da fama súbita: Marcelo Mattos é um bom
volante. Porém, peca pelo excesso de faltas e não se apresenta com
força no ataque. Arrisco até a dizer que bom mesmo seria o
Corinthians ter tirado Mineiro, e não Mattos, do Azulão. Mineiro,
sim, é fera. Marinho, zagueiro rodado e experiente, deve ser
reserva de Anderson, a não ser que Tite opte pelo 3-5-2. Mesmo
assim, ainda teria de superar a concorrência do jovem Betão.
Comenta-se por aí
que o ex-palmeirense Vagner Love pode acertar a qualquer momento
com o MSI, a pretexto de ficar mais perto de seu filho
recém-nascido e da vista de Carlos Alberto Parreira. Estaria ele
incorrendo em dois erros primários do futebol: jogar pelo
arqui-rival do clube que o revelou, atitude que fere a ética
existente entre os clubes grandes de São Paulo (Viola, Neto, os
dois pela via contrária, e Paulo Nunes, fizeram isso e se deram
mal), algo imperdoável na visão dos torcedores; e dois,
desperdiçando a chance de decolar na Europa, porque estava bem em
Moscou, marcando gols e despertando o interesse de gigantes
daquele continente, como o Chelsea. O que faltava era Vagner achar
que morar na Rússia ia ser mamata, com aquele baita frio. Mas se
ele fechou contrato, tem de cumpri-lo.
E a "argentinização"
corintiana talvez não pare por aí. Javier Mascherano, volante do
River Plate, pode vestir a camisa alvinegra no meio do ano. Até o
polêmico Daniel Passarela está pintando na área.
Posso até errar o
chute, mas vejo São Paulo e Santos como virtuais finalistas do
campeonato estadual, com Palmeiras sonhando a distância. O
Tricolor e o Peixe mantiveram a base do ano passado, adquiriram
peças importantes para os setores em que havia certa carência e
contam com bons técnicos. O Palmeiras, à base do bom e barato,
tem um time que atua em conjunto há quase dois anos, um técnico
competente e investiu pouco, mas bem. Trouxe jovens promessas em
vez de caros medalhões e deve figurar entre os quatro melhores.
O
Corinthians/MSI, esse sim deve se cuidar. Além de já ter uma base
fraca, a do último ano, dispensou Fábio Baiano, tem um treinador
descontente e pressionado por bons resultados. Pode acontecer com
o Timão o mesmo que derrubou o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo,
Sávio, Romário e Edmundo em 1995. Grandes contratações acarretam
desprezo em relação aos atletas formados nas categorias de base,
rachas no elenco e guerra de vaidades. Kia Joorabchian,
testa-de-ferro do fundo de investimentos, já comunicou que não
quer juniores misturados às estrelas do time principal. É assim
que acabam os impérios e a casa cai. Contenta-se o rei e os
súditos em detrimento da massa (entenda-se jogadores que não
ganham mais de R$ 50 mil mensais nem vivem em hotéis luxuosos),
que é quem dá a sustância e carrega o piano. |