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No ano de 2004,
São Paulo e São Caetano fizeram um jogo que vai ficar marcado para
sempre na história do futebol. A partida válida pelo Campeonato
Brasileiro, estava empatada em 0 a 0, quando o zagueiro Serginho
do São Caetano caiu desacordado no gramado do Morumbi, falecendo
minutos depois no hospital São Luiz. O relógio marcava
aproximadamente 15 minutos do segundo tempo e o jogo foi encerrado
ali mesmo. Uma semana depois, os dois times entraram novamente em
campo, para completar os fatídicos 30 minutos.
E nesses minutos
finais, os times protagonizaram um verdadeiro show, com emoção,
garra, determinação e, o que a galera mais gosta, muitos gols.
Foram seis. A partida terminou 4 a 2 para o São Paulo. Foi aí que
surgiu o termo "blitz". Um jogo que marcou e entrou para a
história.
Ontem, 09 de
fevereiro de 2005, as duas equipes se enfrentaram pela primeira
vez depois daquele inesquecível jogo. Desta vez a partida
aconteceu no acanhado Anacleto Campanella, no ABC, pelo Campeonato
Paulista.
E foi mais um
jogo empolgante que entrou para a história. Vamos aos fatos:
1° - Rogério Ceni,
consagrado goleiro no futebol nacional, ótimo debaixo das traves,
melhor ainda jogando com os pés e exímio cobrador de faltas. Pois
então. Logo aos 4 minutos de partida, foi dar um chutão para o
ataque e acertou a bola em cima do atacante Luís Cláudio, do São
Caetano. A bola raspou caprichosamente na trave, e entrou.
2° - Tardelli, o
garoto problema do Tricolor, que poucos acreditavam, igualou o
placar em 1 a 1, minutos depois, confirmando sua boa fase.
3° - Triguinho
expulso. O Azulão com 10 em campo. E na superação, faz 2 a 1 em
cima do São Paulo, ainda no primeiro tempo. Até aí tudo bem. Mas o
segundo gol da equipe do ABC, além de ter sido um golaço, foi de
um jogador que quase ninguém lembrava: Anaílson (ele não é a cara
do Mr. Bean?!). Ele acertou a bola na gaveta de Rogério, que
estava um pouco adiantado.
4° - Mais um
jogador do São Caetano expulso. Luís Cláudio é a "vítima" da vez,
logo no início da etapa complementar. Com 9 em campo, todos
apostavam num massacre do Tricolor, que a essa altura, contava com
Grafite, Tardelli e Luizão no ataque.
5° - Mas ninguém
esperava que Zé Luiz, um volante de marcação, daqueles brucutus,
arrancasse do meio de campo, passasse no meio de dois
são-paulinos, e fizesse outro golaço. 3 a 1, e da-lhe desespero.
Com 2 jogadores a mais, o São Paulo ia tomando uma sapecada.
6° - 40 minutos
do segundo tempo, e nada de gols do São Paulo. Até que com um
chutaço de fora da área, Marco Antonio (que entrara no lugar de
Mineiro), diminuiu para 3 a 2. Ainda haviam esperanças.
7° - 43 minutos.
Grafite recebeu na área, girou e, de bico, empatou a partida. A
torcida no Anacleto estava em nostalgia. 3 a 3.
8° - 47 do
segundo tempo. Luizão recebe na direita e cruza. Josué só escora,
e vira o marcador. O inacreditável aconteceu. A blitz estava de
volta e o Tricolor venceu o Azulão por 4 a 3, em mais um jogo
histórico entre as duas equipes.
Me desculpem
aqueles que estavam assistindo Palmeiras e Tacuary, na Globo
(aliás, me disseram que foi um joguinho daqueles). Mas vocês
perderam uma prova de que o futebol, apesar das lambanças das
pessoas que o comandam, ainda pode ser emocionante.
Bom, vou ficando
por aqui. Eu, como bom são-paulino, ainda estou eufórico, sem
unhas (acabei com todas durante o jogo) e sem voz. Tenho certeza
que ainda vou presenciar outras partidas desse tipo durante 2005,
então, preciso me recompor. |