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No Mundo da Bola: uma visão feminina
E A VILA TREMEU...
14/02/2005

Julyane Stanzioni
zionistan@yahoo.com.br

Olá Boleiros!

Salve São Mauro! Salve Robinho! Salve belíssimo espetáculo visto no domingo na Vila Belmiro! Salve torcida do peixe que tomou conta do estádio fazendo da mais popular festa brasileira um marco nesse campeonato paulista!

Sim meus queridos leitores, ainda estou encantada com a atuação do time santista, com sua superioridade técnica e tática, pela genialidade do menino Robinho. Muitos podem discordar do adjetivo, mas pra mim, gênio é aquele indivíduo capaz de transformar as mesmices da vida em grandes acontecimentos; no caso do futebol, transformar um simples passe e toque de bola em magia aos nossos olhos, que tiram de nós suspiros e exclamações.

Inebriante! Assim foi o tão esperado jogo entre Santos e Corinthians. Algo que contagiou mesmo os menos fanáticos pelo esporte bretão. Impossível ter ficado indiferente às impensáveis defesas dos goleiros Mauro, do Santos e Fábio Costa, do Corinthians; ao passe preciso de Robinho para Leo fazer o primeiro gol do peixe; às pedaladas do menino da Vila que saltam aos olhos; aos dois gols do craque santista no segundo tempo – um de pé direito, outro de esquerdo.

Assisti ao jogo na casa de amigos. O relógio marcava que faltavam ainda dez minutos para o início da partida e logo um deles foi arrumando a Tevê no quintal da casa, outros traziam consigo cadeiras e almofadas. Estáticos à frente da telinha, meninos e meninas, santistas, corintianos, são-paulinos e palmeirenses. O juiz apita o início da partida. Os olhos dos ‘torcedores’ acompanhavam cada movimento da bola; o silêncio era interrompido depois de cada toque, drible, possível gol por exclamações ou comentários sobre as jogadas. Depois do primeiro gol não teve jeito, os corintianos tiveram que agüentar piadinhas, provocações. As unhas de alguns passaram a não mais existir; tensão total – ninguém mais se atrevia a perturbar a aflição corintiana. Uma hora e meia depois a sentença: Santos 3 x Corinthians 0.

Robinho foi o nome do jogo. De incontestável habilidade, velocidade, arrancadas que desconsertavam a defesa do Timão. Só conseguiam parar o craque através de faltas; ledo engano quem achasse que ele parasse nos obstáculos; sua visão de jogo o possibilitou de virar jogadas segundos antes de tocar a bola para o companheiro, deixando a defesa Corintiana mais uma vez sem ação.

Não vi Pelé, Garrincha, Rivelino, Gerson jogarem. Fico encantada em ouvir ou ver algumas imagens desses heróis do futebol. Acho maravilhoso que essas imagens e histórias fiquem guardadas na mente dos brasileiros, que acabam por tornar o passado tão presente, fazendo pais e filhos se identificarem nessa paixão brasileira que é o futebol. Daqui a muitos anos ficarei orgulhosa de dizer aos meus filhos que quando era jovem tive a oportunidade de ver ‘nascer’ e crescer um novo craque brasileiro, Robinho -o menino da Vila.

É nessa capacidade de expressar sentimentos, de reproduzir conflitos que o futebol se torna uma espécie de ‘espetáculo total, com um coro de multidões’. 

E agora “Galácticos”?

 

O time do Parque São Jorge foi reprovado na ‘prova dos 9’. Impossível também acreditar que o Timão não parecia, nem de longe, a promessa anunciada por seus dirigentes no começo do ano; das falhas da defesa e erros de passes; da luta sem sucesso de Tevez pelo passe de bola. A pequena torcida que ali estava, não acreditava no placar que constava Santos 3 x Corinthians 0.

 

O atacante Carlitos Tevez, na saída dos vestiários fez um desabafo, se é assim que podemos chamar sua declaração, de que não adiantava ficar esperando um gol se a bola não chegava no jogador (leia-se não chegava em seus pés). Um problema já lembrado nessa coluna há duas semanas atrás, quando dizíamos que Tevez sozinho não resolveria o problema do Corinthians, que o técnico Tite precisa posicionar melhor seus jogadores em campo para que o gol aconteça.

 

Mais uma vez!

Parece que os torcedores não aprendem mesmo. Já não bastasse a onda de violência entre torcidas que assola nossos estádios, no início do segundo tempo da partida entre Santos e Corinthians, no último domingo, o goleiro santista, Mauro, foi atingido por uma pedra jogada das arquibancadas da Vila Belmiro. O goleiro precisou foi atendido e ficou constatado que precisaria, logo após a partida, levar no mínimo quatro pontos na cabeça. Agora fica a pergunta, não teria sido menos problemático se esse jogo tivesse sido realizado num estádio maior, como o Pacaembu? Está na hora dos dirigentes de clubes pensarem menos em si próprios e mais na paz de seus torcedores. Agora, o clube santista e paulista poderá ser multado pelo fato. Que tristeza!

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