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Olá Boleiros!
Confesso meus amigos leitores que
estava sem um assunto que, como se diz no meio jornalístico,
rendesse uma pauta. Escrever sobre a rodada do final de semana
seria ultrapassado, uma vez que meu colega Léo Morelli já o fizera
bem; poderia escrever sobre a final da Taça Guanabara entre
Americano X Volta Redonda e sobre o clássico entre Palmeiras X São
Paulo, mas eles me renderam apenas uma nota – no caso do primeiro;
e uma pequena história e para o segundo.
Mas, para minha surpresa, na
segunda-feira (21) zapiando na Tevê, deparei-me com a estréia de
mais um programa esportivo. O Golaço, na Rede Mulher, às
18h com Milton Neves e Renata Fan. Sim, meus amigos, aqueles
mesmos do Debate Bola da Rede Record. E quem eram os convidados?!
Paulo Morsa e Savóia, aquelas figurinhas carimbadas do programa do
meio dia.
Quem passasse desapercebido por
aquele canal, poderia achar que fosse uma “reprise” do
programa da Record; a não ser pelo fato do cenário ser de outra
cor, azul. Do mais, tudo igual: um computador do lado esquerdo da
tela, com a Renata Fan lendo os e-mails, Milton Neves com seu
famoso terninho, indo e vindo de um lado pra outro; ao fundo uma
tevê de tela plana com a logomarca do programa ou, como disse o
apresentador ‘de plasma da Panasonic’ – Olha o Marcham!. Do lado
oposto ao computador, cadeiras em formato de meia-lua para os
comentaristas e convidados. Savóia e seu inseparável caderninho –
que por tantas vezes erra e Paulo Morsa se opondo aos
questionamentos e respostas. Os velhos personagens repaginados...
Pra ficar igual ao Debate Bola faltou pouco, a grande diferença
foi o clima menos exaltado e menos barulhento da cópia que é o
Golaço. Ainda bem que o nome do programa não foi ‘Terceiro
alguma coisa’, marca registrada de Milton nos seus projetos
profissionais.
Ao final do programa um único
sentimento: decepção. E uma pergunta me vinha à mente: porque
copiar um modelo de programa que já existe? Será mesmo que não
existem boas e novas idéias? Pra mim, só pode haver uma resposta:
a falta de interesse dos nossos colegas em levar ao espectador
programas que saiam da veia do entretenimento e sejam mais
informativos.
Quero deixar uma coisa bem clara,
não sou contra a descontração nos programas esportivos, o futebol
é alegria, é festa popular, pede isso; mas quando um programa é
só isso não vale a pena ser copiado e reaproveitado por outras
emissoras. Ao meu ver, um programa segmentado deve ir em
profundidade nos assuntos, privilegiar as reportagens, fazer
especiais, não ficando apenas nas imagens dos gols mais bonitos,
na criação de polêmicas para segurar o Ibope.
Lembro-me da minha infância e início
de adolescência quando ficava encantada com programas como o
extinto Show do Esporte da Band e de seu programa esportivo, no
final da noite, o Apito Final. E o Cartão Verde, na Tv Cultura,
comandado até 2003 por Flávio Prado, que antigamente era
transmitido aos domingos, sempre foi um programa inteligente,
inovador. Uma pena hoje ter um brilhante jornalista no comando –
Juca Kfouri – mas ser exibido nas quintas-feiras às 22h. Foram
esses programas que me fizeram amar o jornalismo e querer seguir
no meio esportivo.
Agora, de domingo, não tenho
paciência em assistir as mesmices que são os programas. Espero que
a criatividade da nossa imprensa volte logo!
Domingo de festa no Interior Carioca
Domingão. Maracanã. Final de
campeonato. A torcida entoando cantos e gritos de guerra.
Bandeiras, fogos, camisas nas mãos fazendo círculos no ar. Festa!
Ledo engano pensar que era o
clássico Fla-Flu. Os torcedores do interior invadiram a capital
carioca prontos a verem Americano e Volta Redonda decidirem a Taça
Guanabara – primeiro turno do campeonato carioca. Uma festa linda,
que só foi ofuscada pelo próprio jogo, um 0 x 0 no tempo
regulamentar, sem grandes lances. Que só foi emocionante pelo
suspense até a última cobrança de pênalti. No final Volta Redonda
3 x Americano 2.
Tento imaginar o quanto esses
jogadores ficaram emocionados por estarem naquele gramado que
abrigou tantos clássicos, tantos mitos, tantos craques, tantos
heróis. Essa final serviu de sinal para os “grandes” perceberem
que não adianta só o peso da camisa, a tradição de um
clube. Precisa-se jogar, ter time e humildade para com as outras
equipes.
Um clássico com
gosto de primeira vez
Não diz o velho ditado que a
‘Primeira Vez é Inesquecível’? Pois bem, uma amiga jornalista,
Mariana Maziero, fez sua estréia no Morumbi. Ela acompanhou seus
colegas do JT no clássico São Paulo x Palmeiras, justamente quando
seu time era o mandante do jogo. E como se conter diante de um
belíssimo espetáculo, casa cheia, vibração da torcida que ecoava
por todos os cantos... Impossível? Ela mesma nos conta.
“Dizer que foi um sonho de infância
se realizando já resume muita coisa. Ver aquele gramado de perto
foi emocionante. Antes do jogo começar acompanhei uma repórter que
cobria os bastidores. Observei cada movimento da torcida chegando;
já que alguns portões ‘restritos à imprensa’ estavam abertos a
mim, espiei cada cantinho... Queria conhecer a ‘casa’ do meu time
e saciar minha curiosidade de repórter. Assisti ao primeiro tempo
da numerada; e pra minha grata surpresa, o chefe do esporte me
liga da redação pedindo que acompanhasse a briga entre um torcedor
do palmeiras contra um do São Paulo. Sem pensar, saí correndo para
o comboio da PM e esqueci do jogo. Eu precisava de informações.
Quando a partida acabou, me senti realizada e feliz por tudo. O
melhor foi ter chegado em casa e um amigo – também São Paulino –
lembrava-me de uma coisa que tinha lhe dito anos atrás: ‘Já pensou
quando eu for jornalista e cobrir o São Paulo no Morumbi?’. E não
é que fui mesmo”.
Até a próxima Boleiros. Mari,
parabéns por esse dia inesquecível! |