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No Mundo da Bola: uma visão feminina
ESTÁ FALTANDO CRIATIVIDADE PARA NOSSA IMPRENSA
24/02/2005

Julyane Stanzioni
zionistan@yahoo.com.br

Olá Boleiros!

Confesso meus amigos leitores que estava sem um assunto que, como se diz no meio jornalístico, rendesse uma pauta. Escrever sobre a rodada do final de semana seria ultrapassado, uma vez que meu colega Léo Morelli já o fizera bem; poderia escrever sobre a final da Taça Guanabara entre Americano X Volta Redonda e sobre o clássico entre Palmeiras X São Paulo, mas eles me renderam apenas uma nota – no caso do primeiro; e uma pequena história e para o segundo.

Mas, para minha surpresa, na segunda-feira (21) zapiando na Tevê, deparei-me com a estréia de mais um programa esportivo. O Golaço, na Rede Mulher, às 18h com Milton Neves e Renata Fan. Sim, meus amigos, aqueles mesmos do Debate Bola da Rede Record. E quem eram os convidados?! Paulo Morsa e Savóia, aquelas figurinhas carimbadas do programa do meio dia. 

Quem passasse desapercebido por aquele canal, poderia achar que fosse uma “reprise do programa da Record; a não ser pelo fato do cenário ser de outra cor, azul. Do mais, tudo igual: um computador do lado esquerdo da tela, com a Renata Fan lendo os e-mails, Milton Neves com seu famoso terninho, indo e vindo de um lado pra outro; ao fundo uma tevê de tela plana com a logomarca do programa ou, como disse o apresentador ‘de plasma da Panasonic’ – Olha o Marcham!. Do lado oposto ao computador, cadeiras em formato de meia-lua para os comentaristas e convidados. Savóia e seu inseparável caderninho – que por tantas vezes erra e Paulo Morsa se opondo aos questionamentos e respostas. Os velhos personagens repaginados... Pra ficar igual ao Debate Bola faltou pouco, a grande diferença foi o clima menos exaltado e menos barulhento da cópia que é o Golaço. Ainda bem que o nome do programa não foi ‘Terceiro alguma coisa’, marca registrada de Milton nos seus projetos profissionais. 

Ao final do programa um único sentimento: decepção.  E uma pergunta me vinha à mente: porque copiar um modelo de programa que já existe? Será mesmo que não existem boas e novas idéias? Pra mim, só pode haver uma resposta: a falta de interesse dos nossos colegas em levar ao espectador programas que saiam da veia do entretenimento e sejam mais informativos. 

Quero deixar uma coisa bem clara, não sou contra a descontração nos programas esportivos, o futebol é alegria, é festa popular, pede isso; mas quando um programa é só isso não vale a pena ser copiado e reaproveitado por outras emissoras. Ao meu ver, um programa segmentado deve ir em profundidade nos assuntos, privilegiar as reportagens, fazer especiais, não ficando apenas nas imagens dos gols mais bonitos, na criação de polêmicas para segurar o Ibope.

Lembro-me da minha infância e início de adolescência quando ficava encantada com programas como o extinto Show do Esporte da Band e de seu programa esportivo, no final da noite, o Apito Final. E o Cartão Verde, na Tv Cultura, comandado até 2003 por Flávio Prado, que antigamente era transmitido aos domingos, sempre foi um programa inteligente, inovador. Uma pena hoje ter um brilhante jornalista no comando – Juca Kfouri – mas ser exibido nas quintas-feiras às 22h. Foram esses programas que me fizeram amar o jornalismo e querer seguir no meio esportivo.

Agora, de domingo, não tenho paciência em assistir as mesmices que são os programas. Espero que a criatividade da nossa imprensa volte logo!

Domingo de festa no Interior Carioca

Domingão. Maracanã. Final de campeonato. A torcida entoando cantos e gritos de guerra. Bandeiras, fogos, camisas nas mãos fazendo círculos no ar. Festa!

Ledo engano pensar que era o clássico Fla-Flu. Os torcedores do interior  invadiram a capital carioca prontos a verem Americano e Volta Redonda decidirem a Taça Guanabara – primeiro turno do campeonato carioca. Uma festa linda, que só foi ofuscada pelo próprio jogo, um 0 x 0 no tempo regulamentar, sem grandes lances. Que só foi emocionante pelo suspense até a última cobrança de pênalti. No final Volta Redonda 3 x Americano 2.

Tento imaginar o quanto esses jogadores ficaram emocionados por estarem naquele gramado que abrigou tantos clássicos, tantos mitos, tantos craques, tantos heróis. Essa final serviu de sinal para os “grandes” perceberem que não adianta só o peso da camisa, a tradição de um clube. Precisa-se jogar, ter time e humildade para com as outras equipes.

Um clássico com gosto de primeira vez

Não diz o velho ditado que a ‘Primeira Vez é Inesquecível’? Pois bem, uma amiga jornalista, Mariana Maziero, fez sua estréia no Morumbi. Ela acompanhou seus colegas do JT no clássico São Paulo x Palmeiras, justamente quando seu time era o mandante do jogo. E como se conter diante de um belíssimo espetáculo, casa cheia, vibração da torcida que ecoava por todos os cantos... Impossível? Ela mesma nos conta.

“Dizer que foi um sonho de infância se realizando já resume muita coisa. Ver aquele gramado de perto foi emocionante. Antes do jogo começar acompanhei uma repórter que cobria os bastidores. Observei cada movimento da torcida chegando; já que alguns portões ‘restritos à imprensa’ estavam abertos a mim, espiei cada cantinho... Queria conhecer a ‘casa’ do meu time e saciar minha curiosidade de repórter. Assisti ao primeiro tempo da numerada; e pra minha grata surpresa, o chefe do esporte me liga da redação pedindo que acompanhasse a briga entre um torcedor do palmeiras contra um do São Paulo. Sem pensar, saí correndo para o comboio da PM e esqueci do jogo. Eu precisava de informações. Quando a partida acabou, me senti realizada e feliz por tudo. O melhor foi ter chegado em casa e um amigo – também São Paulino – lembrava-me de uma coisa que tinha lhe dito anos atrás: ‘Já pensou quando eu for jornalista e cobrir o São Paulo no Morumbi?’. E não é que fui mesmo”.

Até a próxima Boleiros. Mari, parabéns por esse dia inesquecível!

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