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As
primeiras bolas trazidas ao Brasil por Charles Miller, Hans Nobiling
e Oscar Cox eram bem diferentes das atuais. Elas tinham uma abertura
por onde entrava uma câmera inflável de borracha.
Como o cadarço que amarrava a bola ficava para fora, os
jogadores poderiam se machucar nas cabeçadas. Por isso,
eles usavam uma touquinha, tão comum no início do
século 20. Nos anos 40, as bolas passaram a ter costura
interna, sem a abertura e o cordão. Mas seu coro encharcava
nos dias de chuva, tornando-as extremamente pesadas. Em 1962,
estreou a pelota com 18 gomos, mais leves e estáveis. Na
Copa de 1994, entrou em ação um modelo de material
sintético que potencializa os chutes.
Em 1878, 16 anos antes de Charles Miller introduzir oficialmente
o futebol no país, ocorreu uma famosa partida, disputada
no Rio de Janeiro, em frente à residência da princesa
Isabel, entre as ruas do Roso e do Paissandu. Em seu dia de folga,
os marinheiros britânicos do navio Criméia realizaram
uma animada peleja, com a autorização da princesa.
Não se tem notícia do placar da partida nem dos
autores dos gols. Mas, segundo garantem alguns historiadores,
a responsável pela abolição da escravatura
no Brasil adorou. No final do jogo, os marujos levaram a bola
embora.
Grande craque que era, Charles Miller inventou uns dos dribles
mais desconcertantes naquele início de século 20.
Muito parecido com o elástico eternizado anos mais tarde
por Rivellino, o lance foi batizado de "Charles". Sempre
que um jogador fingia levar a bola para um lado mas imediatamente
tocava para o outro, dizia-se que estava fazendo um autêntico
"Charles". Com o tempo, a designação caiu
em desuso.
Professor do Colégio Mackenzie, Augusto Shaw retornou de
uma viagem aos Estados Unidos em 1896 trazendo na bagagem duas
bolas, uma de basquete e oura de rúgbi. Certo de que seus
alunos ficariam encantados com um dos dois esportes, Shaw tomou
um susto ao ver que a moçada, em vez de usar as mãos
para jogar basquete, improvisava partidas de futebol com as pelotas.
Mas o professor não repreendeu os pupilos. Ao contrário,
começou a jogar futebol com a própria bola de basquete
trazida dos Estados Unidos.
O primeiro jogo noturno da história do futebol brasileiro
aconteceu no dia 23 de junho de 1923, na Várzea do Glicério,
em um terreno que pertencia à Light, companhia de iluminação
de São Paulo. A partida foi iluminada por faróis
de 20 bondes. A Associação Atlética República
venceu a Sociedade Esportiva Linhas e Cabos por 2 x 1.
O poderoso Club Athlético Paulistano, grande bicho-papão
do futebol paulista no início do século 20, realizou
a primeira excursão de um time brasileiro à Europa.
Depois de 20 dias a bordo do navio Zeelandia, a delegação
desembarcou no Velho Continente para uma série de dez jogos
disputados em Portugal, Suíça e França. O
Paulistano venceu nove partidas e perdeu apenas uma.
O primeiro jogo internacional realizado em território brasileiro
aconteceu no dia 31 de julho de 1906. No campo do Velódromo,
em São Paulo, um combinado paulista perdeu para a Seleção
da África do Sul por 6 x 0. Dois anos mais tarde, Charles
Miller (sempre ele) marcaria o primeiro gol brasileiro contra
times argentinos, em São Paulo, no empate de 2 x 2 entre
a Seleção Paulista e um combinado da Argentina.
A primeira vitória brasileira no exterior aconteceria em
1913. O time do Americano, reforçado por Friedenreich,
venceu a Seleção de Buenos Aires por 2 x 0 em plena
capital argentina.
O primeiro campo demarcado no Brasil, com as medidas oficiais
idênticas às dos gramados da Inglaterra, foi a Chácara
Dulley, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, usado pelo
São Paulo Athletic Club. Havia outros campos na cidade,
mas a maioria deles não respeitava as marcações
oficiais.
A Igreja Católica sempre foi uma grande incentivadora do
futebol no país. Além de dar a benção
ao novo esporte recém-chegado da Inglaterra, autorizando
seus fiéis a praticá-lo, muitos padres contribuíram
decisivamente para a propagação do novo esporte.
Entre 1872 e 1873, mais de 20 anos antes de Charles Miller chegar
da Europa com as regras e o material para a prática do
soccer, os padres do Colégio São Luís, em
Itu, no interior de São Paulo, costumavam organizar partidas
entre seus alunos, já com as regras vigentes na Inglaterra.
O sacerdote Manuel Gonzales, do Colégio Vicente de Paula,
em Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi, no começo
do século 20, o primeiro fabricante de bola de couro cru
do Brasil. Suas pelotas eram tão bem feitas que passaram
a ser vendidas em todo o território nacional.
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