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Naquela cidadezinha mineira, o
fascínio pelo futebol era geral. Aos domingos, era de lei assistir
aos jogos do Expressinho, nome dado em homenagem ao Expresso da
Vitória, time inesquecível do Vasco e paixão do seu fundador.
Farmacêutico aposentado, seu Miranda
era o técnico, médico e psicólogo do time, conhecido na região
pela capacidade de reverter resultados aparentemente impossíveis.
Muitas histórias eram contadas sobre viradas inesquecíveis, após
suas preleções no intervalo.
Dona Xica, sua mãe, aos 85 anos, era
a torcedora símbolo do time. Não perdia um jogo e, bandeira na
mão, tinha até lugar cativo à beira do gramado.
Naquele domingo, sol de 42 graus, a
coisa não estava indo bem para o Expressinho. Terminado o primeiro
tempo, o placar apontava 2 x 0 para os visitantes.
Portas fechadas no vestiário, o
técnico se reunia com seus atletas, tentando mais uma heróica
façanha.De repente, um alvoroço. É o massagista, batendo à porta:
- Que tumulto é este?
- É dona Xica, seu Miranda! Está
correndo feito louca, dando volta olímpica no campo com a camisa
na cabeça, como o Rivaldo...
- Mas, o que houve?
- Ela estava com muito calor e eu
fui ao vestiário e dei a ela um copo de suco. - Daquele que o
senhor costuma dar pros jogadores...
-
Nossa Senhora! Mamãe está dopada! |