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[Arquivo
de entrevistas] |
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Flávio Prado é jornalista,
formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, tem
experiência de 29 anos na área de Jornalismo Esportivo e já cobriu
7 Copas do Mundo de Futebol. Atualmente é o apresentador do
programa Mesa Redonda da Tv Gazeta, comentarista na rádio Jovem
Pan AM 620 Khz e comanda o programa "No mundo da bola" na mesma
emissora, além de lecionar na Universidade São Judas Tadeu, em São
Paulo. |
“...Ronaldinho
Gaúcho é o melhor do mundo...”
Em entrevista ao
Futebol na Veia, o jornalista elege o meia do Barcelona o
melhor na atualidade, destaca Cruzeiro e São Caetano como os
melhores do Brasil e garante que o jogador brasileiro tem menos
personalidade que o argentino.
Por Thiago Moreira
e Paulo R. Conde
Realizada em 06/05/2004 |
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Futebol na Veia (FNV) -
Flávio, como ser imparcial na hora de dar uma notícia ao
telespectador? |
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Flávio Prado (FP) - Bom,
primeiro é necessário apurar com correção uma entrevista ou
informação, porque se não fizer isso, fatalmente você estará sendo
tendencioso para um dos lados. A apuração é fundamental para que
você possa dar uma entrevista correta, selecionada, limpa. |
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FNV - Os programas de
jornalismo esportivo usam muito do sensacionalismo nas notícias.
Isso é uma maneira de segurar a audiência ou é um artefato, um
personagem criados pelos apresentadores? |
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FP - Eu não acho que isso (as
notícias) sejam sensacionalistas, porque o apresentador não tem o
que usar. Nós (apresentadores) usamos o gol, mostramos o gol. O
sensacionalismo tem sido muito mais usado em programas policiais.
Em programas esportivos não há como ser sensacionalista, no meu
modo de entender. |
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FNV– Nós vemos casos como o
Chico Lang e o Jorge Kajuru, que levantam a voz para colocar a
opinião deles, tentando influenciar o telespectador. Isso não
seria uma falta de ética para com o telespectador? |
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FP - Não, é uma maneira do
cara fazer o programa. O Chico Lang é um personagem que torce para
o Corinthians (ele mesmo assim se define). É uma forma de ele se
colocar numa posição mais forte. Mas aí você estaria minimizando a
inteligência do telespectador achando que ele é um bobinho, que o
apresentador gritou e ele vai ficar quieto. É uma maneira de fazer
o programa, eu não vejo dessa forma. |
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FNV– Como você vê o conflito
entre apresentadores de televisão como Kajuru e Milton Neves, de
um ficar atacando ao outro no programa. Por que há esses
conflitos? Seria pela busca da audiência? |
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FP - Eu acho uma lástima.
Você nunca verá eu atacando ninguém. Se eu tiver algum problema
com a pessoa eu vou resolver com ela. O público não tem a ver com
a história. E olha que eu me dou bem com ambos. Mas eu lamento que
essas coisas cheguem ao público. |
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FNV– Atualmente, qual é o
melhor jogador brasileiro? |
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FP - O Ronaldinho Gaúcho. No
mundo inteiro é o Ronaldinho Gaúcho.
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FNV– Você o considera
completo? |
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FP - Ele amadureceu, é um
jogador criativo, está jogando num time que atravessava uma fase
de crise e ele passou a segurar a onda sozinho. É um jogador que
merece respeito. Completo é o Pelé. E aí, o buraco é mais embaixo. |
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FNV– E o Kaká? |
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FP - O Kaká tem tudo para ser
o melhor jogador em breve, mas ainda não o é. Se considerarmos o
Ronaldinho Gaúcho na plenitude da forma, o Kaká é o seu reserva na
Seleção Brasileira. Ele é um garoto, mas deve evoluir, vai
evoluir. |
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FNV– Por que o jogador
brasileiro é menos valorizado que o jogador argentino? O argentino
sai do seu clube por um valor mais alto do que é vendido o jogador
brasileiro. Qual o motivo? |
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FP - Eu vejo da seguinte
forma. É o perfil, a personalidade do argentino. O argentino é de
um caráter diferente. O jogador brasileiro já vai ao exterior
pensando em voltar. Normalmente, ele vai para dar uma de malandro,
para pegar luvas, ganhar grana e não está preparado para
adaptar-se lá fora. Por exemplo, o Romário foi para o mundo árabe
e não jogou nenhuma vez, roubou os caras e voltou. O Batistuta
está lá, jogando e cumprindo seu contrato, que é de um ano. São
exemplos. E o mesmo se aplica aos treinadores. Os treinadores
brasileiros não estudam, não sabem falar uma língua estrangeira,
não têm uma competência tática bem definida e não conseguem
trabalhar no exterior e quem acaba trabalhando é o treinador
argentino, que termina por fazer sucesso. Trata-se de uma forma de
caráter da diferença de encarar as coisas entre o brasileiro e o
argentino. |
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FNV– Existe apenas
profissionalismo entre o jornalista e o atleta ou há espaço para
amizade? E até que ponto uma amizade pode influenciar a notícia? |
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FP - O repórter, por estar
sempre em contato com o atleta ou jogador, fica mais passível de
desenvolver uma amizade, um maior contato. No meu caso, que sempre
trabalhei como apresentador e comentarista, é mais difícil. A
amizade pode significar uma fonte importante, mas pode se tornar
uma coisa que tolhe seu trabalho. Eu prefiro distância. Em 30 anos
de carreira, houve três ou quatro jogadores de quem fui mais
amigo, porém, prefiro distância. É necessário que haja um
tratamento respeitoso, mas, se possível, evitar aquele apego todo. |
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FNV– E o que você está
achando do Campeonato Brasileiro nesse segundo ano em que se
disputa pela fórmula de pontos corridos?
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FP - Até agora não dá para
fazer um grande julgamento, mas claro que os times de futebol do
Brasil estão muito pobres, os grandes jogadores estão fora do
País. Mas a fórmula é perfeita, é ótima. Os times é que têm de
mostrar serviço.
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FNV– Essa crise por que passa
o futebol é culpa dos dirigentes dos clubes ou da situação
política e econômica do País? |
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FP - Não, os clubes foram mal
dirigidos, roubados e é inadmissível que um time como o Flamengo,
que tem mais de 37 milhões de admiradores, esteja devendo U$ 250
milhões. Ou seja, é roubo mesmo, má gestão, por má-fé ou
incompetência. Mas, de qualquer forma, a culpa é dos dirigentes. |
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FNV– Quem tem as maiores
chances de vencer o Brasileiro deste ano? |
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FP - A gloriosa Ponte Preta.
Brincadeira. Ela se salvando do rebaixamento já está bom demais.
Os mais fortes são São Caetano, Santos e Cruzeiro. São os de
melhor linhagem, elenco. Mas como é um campeonato muito longo, e a
gente não sabe como vão ficar os times na metade do ano, é difícil
prever. Se os jogadores do Santos realmente debandarem, acredito
que São Caetano e Cruzeiro têm as melhores chances. |
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FNV– E qual seu palpite para
a decisão da Liga dos Campeões da Europa? |
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FP - Que finalzinha, hein?
Muito ruim. Eu espero que vença o Porto, que ainda tem a ver um
pouco com a gente. O Monaco é sacanagem. Foi a resposta deles
(europeus) a Paulista e São Caetano.
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FNV– Para finalizar, mande
uma mensagem aos internautas que visitam o Futebol na Veia. |
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FP - Continuem na rede, que
tem muita coisa legal. Mas menos bobagem, bate-papo e mais
pesquisa. Um abraço. |